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O USO DO NOME DE DEUS EM CAMPANHA ELEITORAL

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By 19 de setembro de 2018 
  1. Quando o candidato afirma não crer no cristianismo e propõe o que o cristianismo condena, está falando do que lhe é próprio. Mas, quando ele se associa ao cristianismo para defender o que o evangelho condena, o profeta tem de se colocar de pé e clamar: “isso não é cristianismo!”
  2. Nossos interesses políticos não podem estar acima do compromisso com a causa do evangelho. Estamos diante de questão grave: o que cabe à igreja fazer quando o nome de Deus é usado em vão? Para ser “Deus acima de tudo”, tem de ser Deus acima da tortura e do totalitarismo.
  3. O problema não é político, mas sim teológico. O Brasil quer saber em qual espécie de Deus a igreja crê.
  4. Muita gente preocupada com candidato ateu. Mas, e se o deus do que diz crer for um diabo? Quando alguém disser “por deus e pelo Brasil”, procure saber qual o seu deus e o que ele pede dos seus adoradores.
  5. Ao dar apoio político a candidato que -apoia a tortura, propõe banho de sangue como solução para os problemas que o país enfrenta, incita o crime, humilha pessoas, tem como bandeira uma população armada-, a igreja torna surdo o ouvido da sociedade à sua mensagem.
  6. Se alguém tivesse dito a você que Fidel Castro se converteu bem antes da sua morte, o que você esperaria que o ditador cubano tivesse confessado e mudado na sua forma de fazer política após sua declaração de adesão ao cristianismo?
  7. Jesus jamais teria dito a Zaqueu, “hoje houve salvação nessa casa”, se Zaqueu não tivesse dito, “resolvo dar metade dos meus bens aos pobres, e se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais”. Não banalizemos a doutrina da conversão.
  8. Amigo, o teste é o louvor e as ações de graças. Você é capaz de dar glória a Deus pela tortura? O pau de arara é fruto da inspiração divina? Devemos orar por uma guerra civil? Seria hoje motivo de louvor o assassinato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
  9. Minha questão não é política. É teológica. O Brasil assiste em estado de perplexidade os que se dizem herdeiros da Reforma Protestante associando-se ao que seria condenado pelos próprios reformadores. Vergonha! Deus se apartará das nossas assembleias se não houver arrependimento.
  10. O que houve com o protestantismo brasileiro? Quem fez descer a nível tão baixo a ética, o sentido do batismo, os valores pelos quais a igreja deve lutar?
  11. Uma determinada corrente ideológica vai lucrar com as críticas feitas a homem que diz ser cristão, conta com o apoio explícito de pastores, mas apregoa o que a fé cristã tem como abominável? Pouco me importa. Os fins justificam os meios? Qual o primeiro mandamento?
  12. Se você é cristão, tudo na sua vida deve manter relação de subserviência a Cristo. Seus interesses políticos não podem estar acima do sangue que foi derramado no calvário.
  13. Entenda o meu ponto. Não me importa quem saia lucrando politicamente com as críticas que devem ser feitas a candidato que usa o cristianismo para apregoar o que o cristianismo condena. Estamos numa luta pela verdade, sentido do batismo e pureza do evangelho.
  14. Não tenho raiva do candidato, que nunca me fez mal algum. Seja quem for que ganhe essas eleições terá de se acostumar com as manifestações de rua que organizarei a fim de defender as demandas da justiça e do direito. Peço que ele se retrate dos absurdos que declarou.
  15. Temos candidatos que não se dizem cristãos. Quando falam, falam do que lhes é próprio. O que fazer, contudo, quando nos deparamos com candidato que se diz cristão, mas que não nega publicamente as ideias diabólicas que um dia defendeu?
  16. Há uma hierarquia de valores morais no cristianismo. A tortura, a supressão das garantias constitucionais, a ruptura do pacto democrático, o totalitarismo, a morte de inocentes, são repulsivos para a fé cristã. “Deus acima de tudo”. Qual Deus? O que abomina essas práticas?
  17. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro?” I Co 5:11-12
  18. Se a igreja se calar perante o uso do nome de Cristo por parte de candidatos que se dizem cristãos, mas que apregoam o que Cristo condena, o Espírito Santo abandonará seus cultos e as gerações futuras condenarão a nossa geração pela sua omissão e conivência.
  19. Se a igreja se calar perante a sociedade brasileira, recusando-se, em nome dos seus interesses políticos, a confrontar candidato que usa o nome de Cristo para apregoar o que Cristo abomina, esqueça toda e qualquer ideia de essa mesma igreja ser referência ética para o Brasil.
  20. Não ficarei calado. Uma coisa é um candidato que não é cristão falar sobre o que é contrário ao cristianismo. Outra, é o nome santo de Deus ser usado por quem nega o que o evangelho ensina.
  21. Devido aos cargos que ocupo julgo não ser sábio declarar meu voto. Sinto-me no dever, contudo, de não permitir que a fé que professo seja usada para endossar ética contrária ao espírito do cristianismo. Tortura e supressão das garantias constitucionais são abomináveis.
  22. Não declararei o meu voto. A um alto custo pessoal, porém, esperando muita dificuldade, incompreensões, ataques de todas as naturezas, sinto-me forçado a expressar minha mais profunda preocupação com o conteúdo da entrevista de um candidato, que exige retratação pública.
  23. “Eu sou a favor da tortura. Caso eleito, fecho no minuto seguinte o Congresso Nacional. O Brasil só muda com uma guerra civil”. Houve alguma confissão pública de mudança de pensamento por parte do candidato à presidência da República que fez essa declaração?
  24. Tenho pregado em congressos e igrejas das mais diferentes cidades. Vejo evangélicos escandalizados com o apoio político da igreja a candidato que se condena pelas suas próprias palavras – graves declarações antidemocráticas, que exigem confissão pública de arrependimento.
  25. “Deus acima de tudo”. Acima da miséria, do abuso de poder, do autoritarismo, do desemprego, da desigualdade social, da supressão das garantias constitucionais, da truculência, da tortura
  26. Fonte: https://www.antonioccosta.com

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