O FLERTE COM O TOTALITARISMO

Por que milhões de brasileiros flertam com um regime político que trata as pessoas como se essas fossem crianças, carentes de tutores que por elas decidam o que devem fazer?

São evidentes, embora injustificáveis, os motivos que levam a esses a apoiar candidato que propõe saída tão antidemocrática para os males que assolam o país.

1. Uma pauta de valores éticos foi imposta a milhões de pessoas, que chamam de imoralidade o que lhes é apresentado como pensamento progressista. Procuraram interferir sem tato no modo do brasileiro lidar com os temas da família, da sexualidade, da ideologia de gênero;

2. Após 13 anos de governo de esquerda, o Brasil encontra-se mergulhado na pior crise na área da segurança pública de toda a sua história. Um sentimento de abandono é experimentado por milhões, que se veem diante de um poder público sem pulso, incapaz de conter o avanço da criminalidade. Nesse mesmo período, cerca de 700 mil brasileiros foram assassinados. A maioria, pobre. Milhares desapareceram, entre os quais, homens e mulheres que foram executados e tiveram seus corpos incinerados, lançados em cemitérios clandestinos, devorados por animais;

3. Faltou humildade à esquerda, que anela governar o país novamente, mas sem demonstrar o mínimo arrependimento pelo aparelhamento político da máquina pública, pelo saque aos cofres públicos, pela compra de votos do legislativo, pelo conluio com os detentores do poder econômico;

4. O Brasil continua carente de profundas reformas estruturais. Os serviços públicos são péssimos, os hospitais não atendem à demanda da população, adolescentes demonstram desinteresse por continuar em sala de aula devido à precariedade das escolas públicas. Amargamos a triste estatística de 14 milhões de desempregados, milhões de subempregados, enquanto despenca o padrão de vida dos que carregam nas costas a economia do país, a classe média e os pobres;

5. Jogar toda a culpa na esquerda não é justo. Nós erramos ao deixarmos tudo desandar. Não fomos às ruas protestar na proporção em que deveríamos ter feito. Não houve controle social sobre os atos do Executivo. Tivemos também o pior Congresso Nacional da nossa história. Sem falar na lástima que são os nossos partidos políticos, afundados em corrupção, fisiológicos, sem projeto de nação, carentes de estadistas.

O resultado do que acabei de expor, de modo tão aquém do muito que precisa ser dito, é a pior ameaça que a nossa democracia sofreu desde o fim do regime militar, em 1985.

O que peço a você, amigo e irmão, é que não permita que sejam buscadas soluções antidemocráticas para os problemas da nossa democracia.

Para as mudanças serem duradouras elas precisarão de legitimidade, que só é possível ser obtida quando as leis do Estado Democrático de Direito são respeitadas, a voz de todos os setores da sociedade é ouvida, e sem medo.

Antonio Carlos Costa

Antonio Carlos Costa

Teólogo, jornalista e ativista social. Plantador da Igreja Presbiteriana da Barra (Rio de Janeiro) e fundador da ONG Rio de Paz. Nascido no Rio de Janeiro em 1962. Casado com Adriany. Pai de três filhos: Pedro, Matheus e Alyssa.

Fonte:https://www.facebook.com/AntonioCarlosAlvesdeSaCosta/

Deixe uma resposta