A Clínica Oásis Paranaense é a única propriedade que pertence a igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma destinada a obra médico-missionária no Brasil e a
segunda no mundo. E atua na área da Medicina Alternativa.

Teve inicio em 19 de dezembro de 1980, no município de Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba, Paraná.Um de seus fundadores foi Antônio Tomé autor do
livro que foi processado por plágio pelos autores ex-reformistas do livro Medicina Alternativa de A a Z.

Inicialmente sua razão social denominava-se Hospital Oásis Paranaense, que foi alterada porque não tinham médicos formados em medicina. Por causa da legislação vigente na área da saúde tiveram que trocar o nome hospital para clínica e contratar um médico para assinar e ser responsável e que não era membro da igreja já que a Reforma é contra o uso de medicamentos alopáticos, exames e tratamentos da medicina convencional e acredita que pode curar todas as doenças através da medicina alternativa e não incentiva seus membros a fazer esse tipo de faculdade por ser contra, segundo eles, a reforma de saúde proposta por Ellen White. Mas finalmente um de seus membros já formado em Nutrição fez ou está fazendo medicina e agora podem ficar aliviados pois terão finalmente um médico formado na faculdade e que é membro da igreja em 30 anos de funcionamento da clínica.

Os tratamentos naturais aplicados na clínica são: Trofoterapia (terapia pelos alimentos), Fitoterapia (terapia pelas ervas), Hidroterapia (terapia pela água nos três estados), Geoterapia (terapia pela argila), Helioterapia (terapia pelo banho de Sol), Massoterapia (terapia pelas massagens), Cinesioterapia (terapia pelos exercícios físicos), etc. E possuem 50 leitos para um único médico.

O sistema de diagnóstico utilizado pelo povo reformista e na clínica Oásis Paranaense é a iridologia, que se propõe a usar os olhos, para diagnosticar problemas de saúde em detrimento de outros métodos muito mais eficazes. Confira logo abaixo uma matéria que saiu no site da uol um dos portais mais acessados na internet, sobre a iridologia:

“A iridologia tem falhado constantemente em se mostrar válida nos estudos científicos realizados até o momento. O próprio Dr. Bernard Jensen, o mais famoso iridologista americano do século passado, numa pesquisa clínica junto com outros dois experimentados iridologistas, falharam em identificar portadores de doença renal num grupo de 143 indivíduos, onde 48 tinham provas de função renal alterada.


Outro estudo que se tornou referência para os críticos da iridologia, foi realizado na Autrália. Um experiente iridologista australiano recebeu fotos da íris de 15 pacientes com 33 problemas médicos definidos. Ele errou cerca de 90% dos diagnósticos e ainda fez 60 outras descrições de problemas que não existiam. Em 1980, cinco iridologistas holandeses experientes foram apresentados a fotos da íris de 78 pacientes, para identificar quais tinham doença na vesícula biliar. Nenhum dos cinco conseguiu identificar os portadores de litíase biliar com uma precisão que fosse significativa do ponto de vista estatístico. Além de não conseguirem separar pacientes doentes de sãos, com um índice significativo de acertos, os três iridologistas apresentaram muitas diferenças entre si nos resultados, sugerindo uma interpretação muito subjetiva dos achados na íris.

Um estudo publicado recentemente no “Journal of Alternative and Complementary Medicine” ainda veio reforçar mais ainda essa impressão. Nele, 110 pessoas, sendo 68 portadoras de câncer em diversos órgãos, foram examinadas por um iridologista experiente para identificação do seu problema. O iridologista só acertou o diagnóstico de três pacientes, uma sensibilidade considerada não significativa.

Antes de ser proposta por Von Peczely, a iridologia era usada como método diagnóstico na medicina chinesa, indiana e por sacerdotes egípcios. A metodologia da medicina indiana sugere que a íris possa dar mais informações subjetivas e relativas a estados emocionais e espirituais, e não diagnósticos de localização como pretendiam os iridologistas ocidentais.

No mais, é preciso que, pacientes e iridologistas, fiquem cientes que o diagnóstico pela íris não tem o mesmo significado do diagnóstico patológico orgânico que a metodologia da medicina convencional faz, como mostraram os estudos.” (http://www2.uol.com.br/vyaestelar/iridologia.htm)

São também adeptos da Colonterapia ou limpeza intestinal que é a introdução de um cano que introduzirá aguá morna dentro do intestino, através do ânus do paciente. Mas o que muitas vezes ocorre é que os pacientes não são previamente comunicados sobre os riscos que essa prática pode provocar. Há relatos publicados de perfurações do reto e peritonite secundária com necessidade de intervenção cirúrgica em casos de colonterapia. Há também casos descritos de insuficiência cardíaca e transmissão de doenças como a amebíase quando o equipamento utilizado não foi adequadamente esterilizado. Estas complicações aumentam muito quando o indivíduo é portador de uma patologia inflamatória ou de um tumor, que não foi previamente diagnosticado. Além dos riscos mecânicos, os pacientes também são expostos ao risco de desidratação, alterações eletrolíticas, síncope e distensão abdominal. Mais ainda, não existem na literatura, trabalhos científicos adequadamente desenhados demonstrando a eficácia deste método para o tratamento da constipação. Muito menos pode ser, este método, considerado eficaz para a desintoxicação de nosso organismo.

Segundo os terapeutas para um processo de desintoxicação do intestino grosso, são necessárias em média de 3 a 5 sessões. Para um tratamento completo e eliminação das placas (fezes negras antigas e mucos que ficam acumulados e aderidos nas paredes e vilosidades intestinais), são necessárias aproximadamente 10 sessões. Isso tudo para uma técnica que não tem comprovação cientifica que tenha qualquer efeito terapêutico positivo contra a constipação intestinal ou qualquer outra patologia. Por outro lado , existe substancial comprovação dos riscos deste procedimento para a saúde dos pacientes, especialmente quando aplicado por pessoal sem a devida especialização.

Ao fim de tantas controvérsias e contra indicações deve se repensar se esta é mesmo a obra médico-missionária proposta por Ellen White em seus livros sobre saúde e mesmo se vale a pena gastar nosso dinheiro com algo sem comprovação científica.

Em meu livro “Autobiografia de Uma Morte Anunciada”, eu relato como fiquei desenganado depois de um tratamento para depressão nessa Clinica, que á época se denominava Hospital, como bem relata a blogueira, autora do artigo acima. Foi em 2000 e a entidade dispunha de um médico para assinar os laudos, Dr Edvaldo Pereira Baracho. Segue uma parte do texto sobre a clinica Oásis
O OÁSIS DA TORMENTA
No mês seguinte, a Prefeitura liberou a escolha da clínica (que fique bem claro aqui que a escolha foi minha). Jerson Ferreira indicou a Clínica do Lago, que era a melhor opção, já que era especializada nesse tipo de tratamento de pacientes com depressão. Eu escolhi a Clínica Oásis Paranaense, tudo por conta da propaganda e de um relato de uma amiga da minha irmã.

Tudo certo, eu fui até Tamandaré e escolhi a Clinica Oásis, por ser naturalista e oferecer um nova opção.

Uma semana antes do internamento, que seria de 15 dias, fui fazer uma avaliação, um diagnóstico por meio da íris do olho. Nela, a análise de padrões, cores e outras características da íris permitem que se conheçam as condições gerais de saúde baseada na suposição de que alterações na íris refletem doenças específicas em órgãos. Com a exceção de doenças que também atingem a íris, como intoxicações por cobre, não há nenhuma evidência científica que comprove o princípio ou a eficácia do método.

O tal do terapeuta Luiz Thomé, que era o gerentão e chefe da clínica, disse que eu estava muito intoxicado, sendo que fazia três meses que eu estava sem tomar remédios recomendados para depressão. Só tomava um Anafranil de 25mg, um Lexotan para relaxar, jamais poderia estar intoxicado. O cara me passou para o Dr. Edivaldo Baracho, que viu meus exames e mandou ver na prescrição do tratamento: trofoterapia (terapia pelos alimentos), fitoterapia (terapia pelas ervas), hidroterapia (terapia pela água nos três estados), geoterapia (terapia pela argila), helioterapia (terapia pelo banho de Sol), massoterapia (terapia pelas massagens), cinesioterapia (terapia pelos exercícios físicos) e fisioterapia. Como eu nunca havia ficado internado mais do que um dia em qualquer lugar, meu pai iria ficar comigo.

A clínica é da Igreja Adventista da Reforma e uma instituição não governamental.  Então os internamentos são realizados no domingo, já que eles observam o sábado como o dia de guarda, assim como eu hoje (sou judeu-messiânico).

No sábado, minha irmã veio até minha casa e eu fui à igreja. Ao voltar, ela perguntou se eu estava preparado para encarar. Como não estava tomando a medicação, disse que estava sem dormir e só iria na segunda-feira. Ela alegou que eles não aceitariam. Fiquei sem dormir. Ás 5h da manhã, fui para Tamandaré, eu e meu pai.

Ao chegar lá, pedi para dormir e fui para a cama, mas logo chegou a enfermeira e me levou para o banho de assento e outras coisas, e ai começou a tortura.

Eu estava mal, era inverno, eu estava sem comer e o lugar era muito frio. Com a bunda sentada numa bacia quente, quase imersa, e os pés num balde frio e gelado, eu passava uma espécie de esponja hipergelada nos órgãos genitais por onde passam várias terminações nervosas. E muito chá. Nem sei do que eram, eu apenas tomava.

Assim foi a parte da manhã, e deu para aliviar a falta de sono. Em compensação, eu fiquei com o intestino solto e sem vontade de comer, e a comida era vegetariana e da boa. Logo notei que já havia algo estranho no meu metabolismo. E ainda por cima me tiraram os remédios. Passei mais uma noite em claro e às 6h, banho novamente e tratamento com barro.

O ERRO FATAL

Depois da experiência do primeiro dia, já dava para ver que eu tinha feito a escolha errada. Principalmente devido à retirada dos remédios e a mudança repentina de hábitos, além do tratamento agressivo (principalmente na questão dos banhos de imersão), e a geoterapia. Não é porque é natural que todo tratamento é menos agressivo do que o tratamento alopático‪. Fica a dica.

Pela manhã, eu ia para os banhos e para a geoterapia. À tarde, a mesma coisa e outros tratamentos. Meu pai não conseguiu se adaptar à comida vegetariana e também dormia pouco. Era inverno e fazia muito frio, as madrugadas eram muito duras. Eu não já dormia mais, então chamava o enfermeiro e ele vinha com um saco de batatas e colocava envolto na minha cabeça. Assim mesmo não dava sono, então ele fazia uma tal de fricção que consistia no seguinte: em plena temperatura de zero grau (e às vezes até -2º), ele trazia uma bacia de água fria às 3h da manhã, mandava eu levantar da cama e ficar nu, molhava umas tolhas e passava em todo meu corpo. Eu só não peguei uma pneumonia graças a minha boa imunidade.

Assim, os dias foram passando. Eu iria ficar 15 dias lá. No sábado eu poderia vir para casa e voltar no domingo.

Entre uma atividade e outra, eu fui observando e conversando com alguns pacientes que lá estavam e com o pessoal responsável pelo corpo clínico. Como sempre fui curioso, fui pesquisando o dia a dia da clínica e deu pra perceber que aquilo tudo era mais um spa para emagrecer do que um local para tratar doenças sérias.

Vi uma mulher de cerca de 50 anos, que tinha câncer e não era do Paraná, acompanhada das filhas. Ela estava ali depositando suas últimas esperanças de cura (fiquei pasmo: tratar câncer com banhos e chazinhos)….

Em outubro o livro será lançado em e-book e impresso, servirá de alerta para quem pensa em fazer um tratamento nesse tipo de clinica

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