Os dados eleitorais já estão rolando na mesa da sucessão presidencial. Não importa mais se o ex-presidente Lula será candidato de corpo presente, ou se estará representado na figura de Fernando Haddad, já que chegamos a um momento onde a dinâmica do processo político avançou para um patamar fora da zona de influência de Sérgio Moro, Raquel Dodge, Dellagnol, Jucá e o Supremo com tudo. O braço desse aparato judicialista não alcança a vontade soberana do povo, não importando mais o que venham fazer. Consciente dessa realidade, o Partido dos Trabalhadores precisa renunciar ao discurso do golpe – como algo dirigido exclusivamente a ele – e trate esse assunto com a abrangência que a crise institucional instalada no país merece, denunciando abertamente o crime de lesa-pátria contra a nação brasileira.
O desmonte da construção civil, o sucateamento da indústria naval, a subserviência aos interesses dos Estados Unidos, que usurpam nossos recursos estratégicos, como o petróleo, o empobrecimento decorrente da falta de trabalho, ao mesmo tempo em que investidores internacionais enchem a burra de dinheiro, a extinção de direitos sociais, a fome, a falta de futuro para os jovens, a morte indigna dos idosos sem aposentadoria decente, são crimes cometidos contra o povo brasileiro, praticados por quem pode decidir seus índices de reajuste salarial, incorporam penduricalhos como auxílio-aluguel aos seus proventos, e se isolam numa ilha de prosperidade cercada de miséria por todos os lados.


Como discurso, o golpe acabou. A palavra de ordem agora é: ENFRENTAMENTO! Enfrentar para que a comida volte à mesa, para que o trabalhador encontre emprego, para que a criança esteja na escola, o jovem na universidade, a roda da economia girando, resgatando o orgulho de sermos um país com protagonismo internacional. Enfrentamento a um sistema corrompido, elitista, hipócrita, sem medo de cara feia de pecuaristas grileiros, militares de pijama, banqueiros gananciosos e escroques que usam o poderio das comunicações para chantagear governos democraticamente eleitos em troca de verbas de publicidade. 


Nenhuma das marionetes legitimadas pelo Sistema possui autoridade para mobilizar o povo para o enfrentamento. Por mais histérico que se manifeste, Silas Malafaia sabe que nada poderá impedir que Lula – ou seu representante -, conquiste boa parte do eleitorado de sua igreja. Nenhuma ofensa resiste à dura realidade de penúria que estamos vivendo. Marina Silva, Jair Bolsonaro, Cabo Daciolo, Álvaro Dias e Geraldo Alckmin não dialogam com o povo. Na boca de Ciro Gomes, a proposta de tirar o nome de 60 milhões de brasileiros do SPC vira chacota. Se fosse o Lula, por tudo o que ele fez pelo Brasil, teria a força de um compromisso.
O PT que o povo espera é o do enfrentamento. Com seu principal quadro na linha de frente ou na retaguarda, a hora é de avançar.

Celso Raeder – Jornalista e Publicitário

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