“Primeiro a se manifestar [no caso ONU & Lula], o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, divulgou que a comunicação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos “tem caráter de recomendação”, apenas. Não seria o caso de confiar no inglês do ministro, mas não foi por falta de tradução correta que ele preferiu a inverdade. O original diz que “the Committee requests”, pede, pois, “que o Estado tome todas as medidas para assegurar que o autor [do recurso] goze e exerça seus direitos políticos enquanto estiver na prisão”, e segue.

É recomendável que Nunes Ferreira não aja com má-fé.”

Palavras de Janio de Freitas, o decano do jornalismo nacional, na Folha de S. Paulo de hoje, 19/08.

Acho lamentável ver um ministro das Relações Exteriores do país recorrer a inverdades e má-fé. Triste. Desmoralizante perante o mundo.

Mais repreensível ainda é ver neste papel Aloysio Nunes Ferreira F°. Exilado em 1968 com documentos falsos, após militância na luta armada contra o regime ditatorial, Aloysio e tantos outros seus companheiros tiveram a proteção da ONU. Que foi fundamental para a sobrevivência deles no exílio.

É bem verdade que o caso de Aloysio Nunes é matéria para estudo aprofundado: de guerrilheiro urbano, a membro do PCB no exílio, a deputado estadual atuante e combativo pelo MDB, depois vice-governador de Fleury Filho – que se revelou como um dos governos mais corruptos já havidos em SP – até tucano de primeira grandeza. A partir daí foi ministro de FHC, senador da República, vice candidato a presidente da República derrotado junto ao corrupto Aécio Neves, foi um dos formuladores da farsa do impeachment da Presidente Dilma Rousseff, até ser coroado (sic) como Chanceler do governo postiço e venal de Michel Temer.

Uau, uma trajetória e tanto.

Uma espiral desmoralizante, marcada agora por esta tentativa de diminuir o papel da ONU na defesa dos direitos de cidadania de um líder político perseguido. Um líder perseguido de forma acintosa pelo MPF do Paraná e pelo juízo federal da 4° Região, que agem com evidente e indisfarçável motivação política.

Acho, e posso estar enganado, que o fecho de ouro (sic) da carreira em direção ao abismo do outrora combativo Aloysio Nunes pode acontecer em muito breve.

Não ficarei surpreso se as investigações [que prosseguem lentamente devido à interferência direta de um ministro de STF] revelarem que os R$ 113 milhões que Paulo Preto [ex-diretor da DERSA] movimentou na Suíça até 2017, e ao que tudo indica produto da corrupção nas obras do Rodoanel de SP, não ser de propriedade exclusiva do “operador”.

Todos que de alguma forma acompanham os bastidores da política em São Paulo sabem da relação por demais íntima entre Aloysio e Paulo Preto. Amigos diletos. Por enquanto, Aloysio conta com a salvaguarda, sempre necessária, do benefício da dúvida. Por enquanto.

Por Claudio Guedes – https://www.facebook.com/claudio.guedes.

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