O texto anterior trouxe um resgate histórico do Jiu Jitsu no Brasil, principalmente sob a contribuição da família Gracie para o desenvolvimento da modalidade, a sequência agora, tratará das possibilidades educacionais e garantia do direito ao esporte e à qualidade de vida proporcionadas pelo Jiu Jitsu.

As lutas, de maneira geral, são conteúdos previstos como ferramenta no processo educacional. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) propõem a inclusão desses conteúdos nas aulas de Educação Física escolar, dentro do tema das Lutas. As lutas correspondem a uma das manifestações da cultura corporal podendo ser reproduzidas, produzidas, transformadas e usufruídas, de acordo com cada sociedade e sendo um objeto de estudo nas aulas de Educação Física. Na verdade, há inúmeras formas de lutas que podem ser inseridas dentro desse tema e o Jiu Jitsu é uma delas.

Nessa questão, o ensino e a prática da modalidade busca sempre criar nas turmas um sentimento de irmandade, onde todos se sintam parte de uma equipe e façam com que a equipe se desenvolva sempre. Para tanto, a cooperação está sempre presente nas aulas, haja vista que cada aluno necessita do outro para poder praticar os movimentos e a luta propriamente dita do Jiu Jitsu. Por isso, a disciplina e o respeito são fundamentais, pois são orientadores das aulas. No entanto, a diversão também é trabalhada no Jiu Jitsu, uma vez que um ambiente prazeroso é sempre mais atrativo do que algo doutrinador, principalmente para as crianças.

Ao longo dos últimos 10 anos, várias cidades brasileiras e de outros países implantaram o Jiu Jitsu no currículo escolar e também nas atividades de contraturno. Em 2009, o site da revista Tatame (uma das revistas especializadas em jiu jitsu e lutas em geral) publicou a seguinte reportagem: “Abu Dhabi: Jiu Jitsu nas escolas para 20 mil crianças”. Essa reportagem informa que o Sheik dos Emirados Árabes, Mohammad Bin Zayed Al Nahyan, filho de Tahnoon Bin Zayed Al Nahyan (que patrocina eventos profissionais para os lutadores de jiu jitsu), está engajado no projeto de levar o jiu jitsu para todas as escolas de Abu Dhabi (TATAME, 2009).

O projeto nos Emirados Árabes teve um incentivo do Sheik após ele ter observado o próprio filho adolescente tornar-se mais disciplinado e saudável depois de praticar Jiu-Jitsu.

Hoje o Jiu Jitsu é uma realidade para o povo árabe, está presente nas escolas e no serviço militar, eles são apaixonados pelo Jiu-Jitsu e também pelo seu estilo de vida saudável. Até mesmo posições de luta, que eram consideradas impróprias por questões culturais, hoje são encaradas sem nenhum problema. Podemos dizer que o Jiu-Jitsu muda não apenas vidas, mas também tem o poder de mudar de forma positiva a cultura de um povo.

 Jackson Franco de Oliveira é Professor de Educação Fisica e assessor parlamentar do vereador Anderson Prego (PT) 

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