A implantação ou melhoria do ambiente construído, composto por parques, praças e demais locais destinados ao lazer e atividades físicas, ajuda muito na diminuição do sedentarismo na população local e favorece o envelhecimento ativo e mais saudável. Em virtude disso, as academias ao ar livre se tornaram uma opção de política pública bastante adotada em nosso município. Em estudo de Kruchelski et al (2011, p. 75),  isso é comprovado quando nota-se que os usuários das academias ao ar livre que cumprem ao menos 150 minutos de atividades físicas semanais têm índice de massa corpórea (IMC) dentro dos parâmetros saudáveis. Entretanto, esse tempo é dividido entre as práticas nas academias e caminhadas em locais próximos.

Mas as academias ao ar livre apresentam algumas questões que preocupam bastante, vejamos algumas:

O projeto base para a instalação de uma academia dessas, é que as pessoas possam chegar ao local, ler as informações no painel e se exercitarem da maneira correta. No entanto, é notório que as informações não são respeitadas, a começar pelo aviso de idade mínima e atitudes compatíveis com os fins dos equipamentos, como é o caso de crianças se balançando ou girando as rodas dos aparelhos de braços. Mas ao meu ver, o problema maior é que a pessoa idosa, foco do equipamento, machuque-se por utilizar o equipamento de forma inadequada, seja do ponto de vista ergonômico ou por excesso de esforço.

Os locais de instalação: diariamente, quando passo por um equipamento desses e vejo que não tem ninguém utilizando, costumo olhar o entorno e observar as questões de acessibilidade, vegetação, paisagismo, outros elementos ligados ao lazer e atividades físicas, vizinhança e me pergunto se a população que mora no entorno gostou ou não da obra executada;

Interação entre poder público e comunidade: a partir das questões levantadas no ponto anterior, imagino também atividades orientadas acontecendo ali, não necessariamente no mesmo equipamento, mas com atividades em grupo, sem faixa etária definida, como danças ou exercícios apenas com o peso do corpo. Me pergunto: e se aqui fosse uma praça destinada a apresentação musical e peças teatrais, será que a vizinhança gostaria? Será que fizeram um abaixo assinado, ou alguma outra forma coletiva de pedido para a instalação dessa academia neste local?

Na concepção de cidade, vários são os elementos que a formam. Ela funciona como um organismo em que cada coisa e cada ser desempenha uma função. A socialização é que faz uma cidade mais humana, mais aconchegante. Formas de segregação podem ser mais adequadas para a comodidade, mas ao mesmo tempo, pode induzir a práticas de intolerância, racismo e outras formas de discriminação.

Na cidade de Curitiba, vários parques contam com a colaboração de um conselho ou associação de moradores local, que cuidam, reivindicam, aproveitam e colaboram para que o poder público realize as intervenções mais próximas da vontade da população.

Aqui em Colombo, não há como evidenciar a ação da Associação dos Skatistas, que interviu em um ginásio inutilizado, procurou conversar com a administração, construiu seus próprios obstáculos e passou a utilizar a quadra como uma excelente pista de skate, a qual denominaram SOCIAL PLAZA, muito famosa e recomendada pela comunidade de skatistas. Embora saibamos que ainda falta muito para que aquele local seja adequado a prática do esporte lazer e socialização, a ação feita por eles foi um belo exemplo de aproveitamento do espaço público e, principalmente, cidadania.

Ainda tratando de espaços públicos destinados à prática de atividades físicas, é importante salientar que as juventudes procuram e necessitam de espaços em que se possam ser praticados esportes alternativos, como o skate, patinação, ciclismo com obstáculos, dentre outros. É importante ressaltar ainda, que vários estudos apresentam como resultado, a preferência por espaços em que exista bastante área verde, bancos, iluminação e segurança.

Esta é uma oportunidade do poder público canalizar ações e políticas públicas que favoreçam a escuta da população sobre as necessidades e anseios para prática de atividades físicas em espaços públicos, para que se possa desenvolver o planejamento de maneira que os ambientes ofertados contribuam para a interação social e cultural, abrindo espaços para as mais variadas práticas esportivas e de lazer, melhorando a qualidade de vida da população.

Por Jackson Franco de Oliveira , professor de educação fisica e assessor parlamentar do vereador  Anderson Prego

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