Se o diabo existisse, está aí uma coisa que teria sido inventada por ele: as redes sociais.

Há exatos sete dias, por volta das 21 horas o Brasil foi surpreendido com a notícia do assassinato da vereadora Marielle Franco, e as primeiras opiniões sobre o assassinato nas redes sociais eram que ela era do PSOL, portanto de esquerda, então “merecia” morrer.

Isso já me impactou, pois não é a ideologia política ou de gênero que deveria pesar sobre como reagir a um assassinato. Até aquele momento não havia a informação de execução.

Com o passar do tempo, informações chegaram e com elas a confirmação de que havia sido uma execução sumária, três tiros na cabeça. Justamente para não haver chances de ela sobreviver. E nessa violência, Anderson, pai de família e seu motorista, também foi atingido e faleceu no local.

Depois dessas informações, o que se viu foi um show de horrores. Os ataques sobrepujaram a solidariedade. O grito de dor e indignação foi substituído por um grito de ódio e mentiras.

 

Uma delas, das mais chocantes, saiu das mãos de uma desembargadora que deveria ser imparcial em seus julgamentos.

 

Fico imaginado depois dos absurdos e mentiras que essa senhora escreveu, qual critério que usa para julgar seus recursos. Se ela leva em conta qual o endereço da pessoa, cor, raça e profissão. São esses os magistrados responsáveis por sentenças imparciais? #Medo

 

Também houve homenagens à Marielle, que parecia ser tão grande, entre elas a do Coronel Reformado da PMRJ Robson Rodrigues, que a conhecia de longa data, que a ela se referiu como guerreira, defensora de policiais, vítimas de ameaças vindo da milícia, aqueles que sofriam assedio dentro da corporação, ajudando a denunciar os PMs mortos pela própria PM, os milicianos, ajudando e acelerando nos trâmites internos da corporação para recebimento da pensão por morte pelos cônjuges e filhos.

Foi ela quem acalantou o coração de uma mãe, ao perder o filho num assassinato arquitetado por colegas de trabalho. Acalanto esse, que não li em momento algum, daqueles que queriam comparar a vida dela com a de centenas de policiais mortos pelas mãos do crime.

Não conhecia Marielle antes do seu assassinato, não sabia do seu trabalho, não conheci sua história, mas essa morte me comoveu. Me comoveu por ela ser grande, por ela falar alto, por ela querer a igualdade dos direitos tanto para o menino pobre morto pela polícia quanto para o policial morto pela milícia.

Ela queria um país mais igualitário nos direitos. Ela lutava por um Brasil menos desigual.

Por ela lutar, assim como eu, por mais mulheres na política. Ela e eu sabíamos o quão difícil é mulher ser respeitada no meio político.

Marielle com certeza chegou em alguém que não deveria chegar, com certeza denunciaria a pessoa e por isso foi silenciada brutalmente.

Já aqueles que “lutam” por justiça, mancharam brutalmente a sua memória.

Muitos deles se diziam cristãos. Aí eu pergunto: se Jesus estivesse na terra hoje, andando com os marginalizados, prostitutas e afins, com certeza seria julgado e crucificado como sendo uma socialista, comunista, defensor de bandido e por aí vai.

Como disse ele em sua regra de ouro: “Não faça aos outros o que você não quer que faça com você”, a qual poder ser lida naquela bíblia aberta sobre um pedestal, empoeirada, que serve de enfeite na entrada de muitas casas.

Marielle, você nos mostrou que no Brasil não existem só assassinos armados, sem nome, favelados, mas também os ….

 

P.S.: Até o momento, nada foi descoberto sobre o crime ….

 

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