A vida conjugal tem muitos desafios. Não é fácil conviver perto de alguém diferente não só quanto às diferenças masculinas e femininas, mas também diferenças de gostos, temperamento, desejos, sonhos, que podem ser diferentes em cada membro do casal.

Conversar tendo como meta harmonizar, entender o outro, expressar suas ideias para a outra pessoa, é um caminho de melhoria na vida conjugal. Não tem como ajustar coisas no casamento sem dialogar. Isto é verdade também em outros relacionamentos.

Muitas vezes ocorre um travamento no relacionamento conjugal porque um ou outro, ou ambos, ficaram machucados por brigas repetidas ocorridas nas tentativas de conversar, nas quais houve mais tensão, ofensa, desentendimentos do que resolução de conflitos. Diante disso, a ideia de dialogar sobre assuntos difíceis evoca sentimentos dolorosos, que conduzem ao afastamento do diálogo. Por que o marido e/ou a esposa podem evitar conversar sobre aquilo que poderia trazer solução para a frustração no casamento? Porque para alguns casais a experiência de diálogo tem sido tão desastrosa que eles preferem se preservar para não passar pelo estresse de novo. Só que permanecer assim não resolve o que precisa para melhorar a qualidade do relacionamento.

Algumas atitudes podem ajudar para que o diálogo se torne possível e produtivo. Primeiro cada um precisa respeitar o outro quanto à maneira de falar, e não falar dando bronca e com jeito autoritário. O respeito envolve a percepção de que ambos são seres humanos, com acertos e erros, com coisas boas e ruins. Um não é melhor que o outro, um não é superior ao outro. E deve-se evitar palavrões, deboches, ironias, depreciações.

Também é muito importante ouvir o que a outra pessoa tem a dizer, tendo paciência para deixá-la falar e esperar que ela termine seu raciocínio sem interromper. Se ela for prolixa (dá muitas voltas), você pode solicitar, sem irritação, que ela faça um resumo do assunto para ser mais objetiva. Quando sentarem para a conversa é muito importante cada um lutar para usar palavras claras, não manipuladoras, respeitosas e verdadeiras.

Algumas perguntas podem ser usadas no diálogo entre o esposo e a esposa na busca de melhora da vida à dois. Dentre elas posso citar: “O que você mais admira em mim?”. Cada um pode falar sobre isto de forma honesta e sincera. E se sua sensação atual seja a de que perdeu a admiração pelo seu cônjuge, você pode fazer uma força em sua memória e lembrar de características boas que observou no passado e falar disso. Não deixe que sua chateação atual o impeça de comentar sobre o que você admira na outra pessoa pelo que ela revelou até hoje. Mesmo pessoas complicadas possuem algo admirável. Fale disso.

Outra pergunta no diálogo conjugal pode ser: “Você compreende que num casamento os dois têm sempre algo a ser mudado e que normalmente a culpa de problemas conjugais não é só de um?” Se a pessoa for honesta ela admitirá que sim, que ambos precisam lutar pessoal e individualmente para melhorar como indivíduos para que o relacionamento também melhore. Se ela não for honesta e ficar na negação, e se mantiver atacando o outro, achando que não tem problemas de comportamento, daí fica mais difícil o diálogo e o entrosamento. Negação é fugir da verdade. E sem verdade não há solução.

Uma pergunta interessante ao dialogar é: “Como você gostaria de ser tratado(a) por mim?” Esta pergunta requer uma resposta também honesta, clara, objetiva, ao ponto. Não funciona usar frases genéricas, tipo: “Queria que você me tratasse melhor!” O outro pode pensar: “Como assim, melhor?” Explique o que significa este “melhor”. Dê exemplos, tipo: “Gostaria que você andasse comigo na rua de mãos dadas ao invés de eu ir afastada como se fosse um estranho.”, ou “Gostaria que você conversasse comigo ao chegar do trabalho e falar como foi seu dia, perguntar como foi o meu, ao invés de ir assistir TV ou ficar no celular sozinho.” Especificando o que sente falta, ajuda o outro a entender e melhorar.

Quer melhorar seu casamento? Então reserve pelo menos um dia por semana e uma hora cada vez para uma conversa honesta, a sós com seu cônjuge, na qual exista respeito, honestidade, sincero desejo de melhorar, clareza nas palavras, empatia, escutar o outro e se esforçar para mudar e aprimorar o que depende de você.

Fonte: Cesar Vasconcellos de Souza – www.doutorcesar.com.br

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