Na volta da coluna ao Colombo Aternte, teríamos um leque de opções e assuntos para serem abordados, afinal o cenário político nunca teve tanta trama, comédia, drama e bacanal como agora.

Com mala de R$51 milhões escondida num apartamento a gravações onde os sonhos eróticos de um delator caíram na boca do povo.

Porém resolvi relatar dois episódios diferentes, mas que se “encontram” no resumo político atual.

Há alguns dias encontrei um amigo de infância que possui algumas informações privilegiadas do backstage. Não por acaso perguntei sobre uma investigação que havia ocorrido há alguns anos, a qual ele cobriu e como tinha ficado.

O relato dele foi bem esclarecedor e estarrecedor. Ele me disse que por conta de uma gravação mal interpretada feita pelo órgão que investigava outra pessoa, o departamento que estava incumbido de fazer a investigação resolveu bisbilhotar também a vida do Senhor B. (por uma questão de sigilo, não citarei os nomes do órgão e das pessoas envolvidas).

Nesse meio tempo, a equipe desse departamento “teve a certeza” de que o Senhor B. estava envolvido no esquema e por interpretar que ele corria risco de fuga, pediram a prisão preventiva dele.

Ele foi preso, teve um auê por parte da imprensa e todo aquele circo.

Depois o caso caiu no esquecimento, afinal apareceram coisas maiores. Porém a investigação não parou.


No meio do percurso, o próprio departamento, havia descoberto que o Senhor B era inocente e nada tinha a ver com o esquema investigado.

Tudo teria acabado bem, se não fosse um detalhe: o departamento em questão não recorreu a mídia para esclarecer que o Senhor B. era inocente, não pediu desculpas ou fez qualquer ato que anulasse a CERTEZA de seu envolvimento no caso, certeza essa que, posteriormente, EVAPOROU.

A “mudez” do departamento faz com que a população ainda conviva com a certeza da culpa do Sr. B.

Pior, com isso, o Senhor B. perdeu emprego e qualquer tipo de credibilidade, a vida pessoal dele sofreu e hoje ele está lutando como pode para sobreviver, se tiver sorte, seus filhos receberão o valor da indenização do processo que ele move contra o departamento em questão que, por um ACHISMO tão comum nos dias de hoje, resolveram acabar com a carreira de um profissional sem pestanejar e, o pior, sem uma investigação mais aprofundada.

O outro caso aconteceu comigo. Pelo ranço que sempre tive a respeito do Senador Aécio Neves, por motivos pessoais, que piorou de uns tempos para cá, ontem ao ouvir o tititi de que ele havia perdido a eleição para ser padrinho da sala da escola da filha.

Este ser que vos escreve, sem pensar nem um segundo, que dirá checar a veracidade da notícia, resolve tirar sarro e chutar o cachorro morto.

Hoje ao acordar me dei conta de duas coisas: a primeira e obvia: não havia checado as informações. Justo eu que sou caxias pacas. Deixei deixe me levar pelo gosto “vamos bater” mesmo que seja mentira, só porque não gosto.

Segundo: Aécio só tem duas filhas: uma com 23 anos e outra com 3, ou seja, há grandes chances dessa história ser mentira.

Mas já havia publicado e não iria retirar nada, afinal assumo meus erros.

Nesse ponto é que as duas histórias se encontram. São notícias ou informações que são repassadas como verdade única e absoluta, onde os ACHISTAS de plantão replicam sem ao menos checar só pelo gosto de ver seu “inimigo” na pior.

E quando se percebe que a notícia era falsa ou que não era a verdade absoluta, sequer pedem desculpa pelo achaque feito contra a vítima.

Por isso termino esta matéria pedindo desculpas ao Senador Aécio Neves, caso tenha divulgado uma notícia errônea, levando em conta tão somente a radio peão de Brasília, sem checar a veracidade e guiada pela opinião que tenho a vosso respeito.

E pedir desculpa ao Senhor B. por também ter acusado sem ter provas, só porque a grande mídia e um departamento afirmaram que era, só por ACHISMO, sem provas.


Nem tudo é verdade absoluta, mesmo que venha de lugares que passam a certeza de não errarem nunca.

Rita Gomes Todeschini é colunista deste site e blogueira me Brasilia

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