Em 1991 , Beti Pavin , além de ocupar o cargo de chefe de gabinete do prefeito João Dalprá , de forma irregular , uma vez que era vereadora (prevaleceu o velho jeitinho) , estava armando a chapa para as eleições de 1992 , que teria ela na vice e Strapasson como prefeito . A vontade de Requião , o governador e amigo de sala e cozinha de Beti Pavin , queria ela encabeçando a chapa. Strapasson teve espaço grande no governo de João Dalprá , mas era muito técnico e não tinha o tal do apelo popular que Pavin tinha de sobra . A vereadora não aceitou o convite do governador , e num gesto de grandeza  abriu o espaço para o engenheiro Strapasson ser o candidato a prefeito , Beti Pavin ganharia sem muito esforço , e sem ela na chapa , Strapasson não se elegeria .

Logo após o primeiro semestre daquele ano , Beti Pavin me chamou para saber como deveria ser feito para tornar o tosco  vice-prefeito de João Dalprá mais popular e acessivel aos olhos da  população .

O primeiro passo foi tirar o cara de Colombo e levá-lo para os programas de rádio da capital com alcance em Colombo . Os famosos programas populistas que tinham como foco o assistencialismo e os fatos policiais. Um berro desses radialistas e o povo delira…

Foi numa dessas investidas , que  disse para Beti Pavin , que seria necessário fazer um meio de campo com o então Deputado Carlos Simões ( aquele da cabine de rádio na praça Rui Barbosa )  O problema , era o fato de Neivo Beraldin ser o deputado estadual de Colombo , e com muita influência junto ao governador , sempre apoiado por Beti , Dalprá e Strapasson .

Como fazer para chamar Carlos Simões para ser parceiro sem ter uma moeda de troca , além do pagamento da midia de rádio? Eu fiquei encarregado de fazer o contato com o assessor do deputado , João Leme . Fiz e combinamos um jantar na casa de Jerson Ferreira , juntamente com Dalprá , Strapasson , Beti , eu , João Leme e Carlos Simões . O prato da noite era carneiro assado , além da cabeça de NEIVO BERALDIN de sobremesa , o que detonaram o cara foi uma grandeza, com exceção de Jerson Ferreira , sempre lúcido e sem fazer jogo de cena , pois conhecia bem o seu time .

Para fechar o acordo de carregar Strapasson para dentro de sua casinha , Carlos Simões queria a garantia dos governantes de Colombo: o apoio para as eleições de 1994 .

Papo vem e papo vai , tudo acertado . Beti e Strapasson garantiram que Neivo seria carta fora do baralho na eleição de 94 , o apoio de Colombo seria para Simões . Chegaram até a dizer que Neivo Beraldin não estava agradando , não trazia nada para o municipio , baita mentira.

Acordo fechado e selado . A partir daquele momento , toda a sexta-feira pela manhã , Strapasson passava em minha casa para irmos participar do programa de Carlos Simões na Praça Rui Barbosa , isso aconteceu até o prazo determinado pela lei para que os pré-candidatos pudessem fazer esse tipo de propaganda.

No periodo eleitoral , o deputado Carlos Simões chegou a subir no palanque de Strapasson e Beti , além de trazer seu famoso circo para fazer eventos nos bairros , Strapasson pagou , é óbvio !

Depois de eleito , o prefeito e a vice , não mais mantiveram contatos com Simões , Neivo Beraldin continuou sendo o deputado de ambos , e o acordo feito no jantar foi sendo aos poucos esquecido , até que chegou 1994 , e a bola nas costas foi consumada , Neivo Beraldin foi o candidato apoiado pela prefeitura e seus donos . Eu mantive minha palavra , mesmo a contragosto apoiei Carlos Simões , ganhei  R$1,000 ,00 para isso , mesmo exercendo cargo de confiança na gestão , o prefeito e a vice não me questionaram, só cumpri minha palavra dada no jantar.

Elias Glaucio

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