Os médicos empregados da Fundação de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (FEAES) estão em greve desde o final de julho deste ano. A FEAES é a Fundação pertencente à Prefeitura de Curitiba que contrata todos os médicos que atendem nas Unidades de Urgência e Pronto Atendimento (UPAs) e o Hospital do Idoso Zilda Arns. Apesar da Justiça do Trabalho ter tentado em três audiências resolver a greve por meio de um acordo, médicos e Prefeitura continuam discutindo.

Mas o Prefeito Rafael Greca não perdeu tempo. Primeiro ameaçou os médicos pelo Facebook, na semana passada, dizendo que iria mudar a forma e modelo de gestão das UPAs. Como a ameaça não surtiu efeito e os médicos continuaram em greve, o Prefeito enviou à Câmara uma medida concreta: um projeto de lei que permite ao Município de Curitiba contratar entidades terceirizadas para prestarem serviços médicos.

A notícia caiu como uma bomba na greve dos médicos. A reportagem do Colombo Atenta esteve conversando com médicos nas unidades de saúde de urgência (UPAs) de Curitiba. Os médicos falaram que há um medo de que com a contratação da empresa terceirizada, eles percam seus empregos.

A estratégia da Prefeitura conseguiu desarticular a greve em várias unidades. Outros empregados que não estão em greve, como enfermeiros, mas que apoiavam os médicos agora olham com maus olhos a greve dos colegas, culpando-os pela terceirização. Um dos médicos líderes da greve, que não queria se identificar, disse que vários doutores estão cientes de que perderão seus empregos e já desistiram do movimento.

A Câmara já provou o regime de urgência e isso significa que a lei pode ser votada a qualquer instante. A perspectiva é que ainda na próxima segunda-feira (28 de agosto) a lei seja aprovada. O líder do governo na Câmara, vereador Petruzziello chegou a dizer que a primeira UPA que não contará com os médicos concursados da FEAES/Prefeitura será a UPA do CIC (Cidade Industrial de Curitiba). Na Câmara de Vereadores de Curitiba se comenta que o Prefeito está decidido a acabar com os empregos de médico concursado da Prefeitura e que vai contratar médicos nas próximas semanas por meio de Organizações Sociais, por causa principalmente da greve dos médicos.

A reportagem entrou em contato com o Sindicato dos Médicos do Paraná (SIMEPAR) que afirmou que a terceirização da saúde é lamentável e demonstra apenas a incompetência da gestão municipal e que a greve ocorre porque os médicos buscam melhores condições de trabalho. A Diretora do SIMEPAR, Dra. Claudia Paola Aguilar disse que faltam materiais, faltam médicos nas escalas e que as reivindicações buscavam melhorias nas condições de trabalho e consequentemente melhorias para os usuários. Falou, ainda, que a atitude da Prefeitura é desleal e demonstra descaso com o funcionalismo. Outros sindicatos mostram-se também contrários à terceirização.

A reportagem do Colombo Atenta tentou contato com o RH da Fundação responsável pelas UPAs, mas não houve resposta até o fechamento desta matéria.

Não apenas os médicos concursados de Curitiba, mas também os de Colombo e região metropolitana sentem-se ameaçados pela atitude do Prefeito de Curitiba. Também em Colombo a greve já dura meses e apesar das decisões judiciais para ambos lados, os médicos estão sofrendo com igual ameaça da prefeitura de terceirizar a saúde.

Vamos continuar acompanhando.

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