A eleição estadual de 1986 foi marcada por um dos maiores estelionatos eleitoral que já se viu em Colombo e talvez no Paraná.

Na época o ex-prefeito João Chemin (PMDB ) estava disputando uma cadeira na Assembléia Legislativa , e apoiado por 80% dos politicos do municipio  , a tentativa de eleger o primeiro deputado estadual de Colombo era questão prioritária. Não foram medidos esforços neste sentido , desde funcionários da prefeitura cedidos para trabalharem na campanha e pagos pelo poder público , (os servidores assinavam um pedido de licença sem vencimentos e protocolavam , mas esse pedido ficava na gaveta , e a prefeitura pagava os funcionários que eram deslocados para a campanha , em caso de denúncia a chefe de gabinete mandava publicar o pedido np orgão oficial do municipio e tudo parecia legal. ) até o pagamento de custos de campanha .

Como a candidatura unia aliados e adversários de Chemin , não havia perigo de nada dar errado. Outro fato que contribui para o cambalacho , dava-se por conta de que cada uma das muitas lideranças e secretários da prefeitura eram cabos eleitorais de algum candidato a deputado federal que estavam fazendo dobradinha com João Chemin , entre eles : Renato Jhonsson (o mais votado) , Max Rosemann , Mauricio Nasser , Renato Bernardi , João Carlos Martinez e Mauricio Fruet . Ou seja , valia tudo para levar uma grana boa , e para empurrar essa gente para dentro da campanha de Chemin , e foi ai que o representante de Colombo errou , pois chegou um momento decisivo da campanha , que mais importava eleger o federal do que o estadual , afinal era uma vaga na futura Assembléia Nacional Constituinte que estava em jogo , e no municipio a briga pela sucessão de Lordes Geraldo , já que muitos desses candidatos tinham seus preferidos no municipio , Renato Jhonsson o mais votado era um deles , queria fazer de Edson Jhonsson ,seu primo o futuro  prefeito .

Rolou muito dinheiro para se aliarem a Chemin , que focou 80% de sua campanha em Colombo , apostando no bairrismo e no fato de ter deixado três anos e sete meses de mandato para encarar a missão . Errou ao levar para dentro desse jogo vários blocos que não acrescentavam nada …Queriam apenas tirá-lo da cena local.

Depois de mais de quase 5 meses de campanha , e com tudo preparado para a festa da possivel eleição , eis que na abertura das primeira urnas a verdade começou a vir á tona , Chemin estava mal , não fazia 4 de cada 10 votos contados , logo acharam um jeito : passar a mão nos votos nulos e brancos e passarem para o nosso candidato.

Tudo combinado com os mesários (exceto alguns como Raul da Silva que estava P da cara ) , mas com o cerco em torno dos mesários por parte dos fiscais de todos candidatos a deputado federal , e sem adversários em Colombo , (Edgar Bolsi era candidato pelo PDT , mas sequer tinha como contestar nada , sua campanha foi focada em Curitiba e Medianeira) o ex-prefeito estava a um passo da sua eleição com a prestimosa ajuda da justiça eleitoral , sim , porque a juiza e o escrivão sabiam do esquema e autorizaram a roubalheira.

Teve um dia em que o escrivão disse o seguinte: ” Calma ai pessoal , a juiza deu o ok , mas vamos devagar nessa roubalheira!” …acontece que os mesários estavam também  fazendo o mesmo jogo para os candidatos a deputado federal , dai a sacanagem correu solta…

Faltando um dia para terminar a apuração , eis que o inesperado acontece: Nestor Batista , candidato a deputado estadual foi informado do fato , e como tinha um forte cabo eleitoral em Colombo , logo entrou na sede social do Colombo FC e mandou ver: “que negócio é esse aqui?, vamos parar com a roubalheira já!”. Foi o que bastou para que o nosso ex-prefeito ficasse de fora da Assembléia Legislativa por uns miseros mil votos , e todo o esquema da máquina pública que jogou pesado a seu a favor fosse para o beleléu … Na verdade , dos quase 14 mil votos feitos por Chemin , nem 65% deles vieram da vontade popular , mas do grande esquema da contagem de votos …#segueobaile

Elias Glaucio

Deixe uma resposta