Em virtude dos acontecimentos políticos dos últimos quatro anos, muitos grupos que compartilham as mesmas opiniões tentam desqualificar seus opositores, taxando-os pejorativamente, sem escrúpulos e sem poupar esforços para a promoção de um esculacho coletivo e intolerante ao extremo.

Analisando tais grupos, os rótulos mais comuns são: Paneleiro arrependido; Paneleiro deslumbrado; Petralhas arrependidos; Petralhas deslumbrados; e O Trabalhador.

São cinco figuras, sendo que quatro delas parecem disputar a preferência dos apontamentos. Sem dó nem piedade! Sem lenço nem documento! E muitas vezes sem nexo do lé com cré. Paralelamente a esta zoeira institucionalizada e generalizada, o trabalhador vai pagando o pato sozinho!

O Paneleiro Deslumbrado protestou por um país melhor e, no primeiro contratempo, se bandeou para Miami; seu amor à pátria é apenas sazonal: surge quando lhe rende boas fotos nas redes sociais e vai embora quando a coisa aperta, não se responsabilizando pela consequência de seus atos.

Já o Paneleiro Arrependido é tipo o ingênuo político. É aquele ser que acreditou estar participando de protestos livres, sem manipulação, que a mídia não tinha interesse algum, que o único comprometimento seria com o futuro do país. Pobre “Poliana”! Pintou a cara, as unhas e postou nova foto de perfil no Facebook com as cores do Brasil e até agora não caiu em si de tudo o que realmente aconteceu.

Daí chegamos ao Petralha Deslumbrado, aquele que vê na retirada da esquerda do poder a martirização de seus líderes.

Paralelamente, também visualizamos a figura do Petralha Arrependido, que viu seus representantes estarem lado a lado de seus adversários e adotando práticas semelhantes, além de, muitas vezes, se aliarem a eles.

E, finalmente, chegamos àquele que paga o pato, qual seja, o trabalhador.

Enquanto os outros quatro grupos rotulados pelo censo comum brigam e tentam se justificar, quem sofre é a base da cadeia produtiva. A parte mais fraca. Perde-se os direitos trabalhistas, perde-se os direitos previdenciários…

Reformas estas que em nada atendem os pequenos empresários, que mais uma vez foram esquecidos pelo Governo Federal.

Todos, indistintamente, sofrem com o aumento de tributos, com a super alta do combustível e com toda enxurrada de produtos afetados por consequência, como em efeito dominó. Aqueles que outrora gritavam e panelavam, não possuem mais fôlego nem força, afinal, não há mais tempo para pensar, apenas para trabalhar, trabalhar, trabalhar…

Um país desestabilizado e em caos econômico não dá margem para que a população consiga tempo para protestar, sequer idealizar dias melhores.

E antes que a população entenda o que aconteceu, muitos já terão sucumbido. Sem tempo, sem comida, sem dignidade, sem aposentadoria… Só a democracia é capaz de alternar este ciclo de retirada de direitos. Saibam votar!

Requião Filho é Deputado Estadual na Assembleia Legislativa do Paraná

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