No próximo dia 3 de agosto, às 16h, nos Conselhos Regionais de Medicina dos Estados, os médicos brasileiros lançam, oficialmente, em todo o País, o #MovimentoForaBarros – com algumas exceções, de locais e horários, como em Brasília (DF), Curitiba (PR), Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Trata-se de uma resposta às declarações proferidas pelo Ministro da Saúde, Ricardo Barros, que demonstram desconhecimento, desrespeito e descaso com a Saúde Pública e a categoria. A iniciativa é do ‘Aliança Médica’, grupo que reúne médicos de todo o Brasil através de redes sociais, com o apoio e parceria do Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB), Federação Nacional dos Médicos (FENAM), Federação Médica Brasileira (FMB), Ordem dos Médicos do Brasil (OMB) e Sindicatos dos Médicos nos Estados. A identidade do movimento nacional foi, inclusive, desenvolvida pelo marketing do Sindicato dos Médicos do Ceará. Através do movimento, que já começou nas redes sociais, a categoria médica busca promover o debate das seguintes pautas:

– Prioridade às indicações técnicas para ocupantes de cargos públicos em Saúde, inclusive, no Ministério; – Não contingenciamento do orçamento da Saúde;

– Condições dignas de trabalho para os profissionais da Saúde e de atendimento aos pacientes; – Apoio ao Ministério Público nas investigações de casos de corrupção na Saúde;

– Programa Mais Médicos: prioridade das vagas para médicos brasileiros; obrigatoriedade da revalidação dos diplomas para os médicos estrangeiros, bem como brasileiros formados no exterior; fiscalização e cumprimento da Lei e dos editais;

– Isonomia entre a bolsa do Programa Mais Médicos e a da Residência Médica;

– Utilização do Piso Salarial Médico nas contratações dos serviços públicos e privados; – Aprovação da Carreira de Estado para Médicos;

– Aprovação do Ato Médico;

– Reformulação da Lei 9656/98 – que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde – no que tange à remuneração médica;

– Formação: fiscalização ao cumprimento das diretrizes para abertura de novas faculdades de Medicina, que impeçam a criação indiscriminada de instituições de má qualidade no ensino médico e criação de grupo de avaliação (com membros de entidades médicas) das existentes.

Outros locais e horários do #ForaBarros

· Manaus (AM), às 8h, na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SUSAM);

· Brasília (DF), às 9h, no Ministério da Saúde; às 10h, marcha ao Congresso Nacional; às 12h, Audiência Pública na Câmara dos Deputados; e, às 14h, audiência com o ministro Ricardo Barros;

· Curitiba (PR), às 16h, na Praça Santos Andrade (em frente ao Teatro Guaíra);

· Rio de Janeiro (RJ), às 16h, na Praça da Cinelândia;

· São Paulo (SP), às 16h, no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Declarações polêmicas

Desde que assumiu o Ministério da Saúde, Ricardo Barros, que é engenheiro civil de formação, profere declarações polêmicas, com ampla repercussão na sociedade. Confira algumas delas:

– “Vamos parar de fingir que a gente paga médicos, e o médico parar de fingir que trabalha. Isso não está ajudando a saúde do Brasil”. (Em 13 de julho último, em Brasília (DF), durante lançamento do programa de biometria na rede pública de saúde);

– Durante evento no Acre, no último mês de junho, Barros afirmou que os médicos estão preocupados em ganhar mais, sem trabalhar o suficiente e, quando foi questionado por um sindicalista sobre os problemas existentes na área, afirmou ainda que o “trabalhador do setor da saúde que estiver insatisfeito pode pegar suavarinha e ir pescar”;

– Em 15 de março último, discurso na Câmara Municipal de Curitiba (PR), Barros criticou a forma de atuação dos médicos brasileiros, afirmando que este nãodemonstra disposição para o trabalho;

– “Homens trabalham mais. Por isso, não acham tempo para cuidar da saúde”. (Agosto de 2016, durante lançamento de pesquisa da ouvidoria do Sistema Único de Saúde);

– Em abril deste ano, durante evento sobre o Brasil organizado pela Universidade Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), nos Estados Unidos, Barros afirmou que exames com resultados normais sãodesperdício para o SUS, criticou médicos que solicitam “exame como forma de transferir sua responsabilidade de emitir diagnósticos” e afirmou que o sistema de saúde não pode ser “tudo para todos”;

– “Quanto mais gente puder ter planos, melhor, porque vai ter atendimento patrocinado por eles mesmos, o que alivia o custo do governo”. (Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, publicada em 17 de maio de 2016);

– “Na pior das hipóteses, tem efeito placebo. A fé move montanhas”. (Maio de 2016, no Congresso Nacional, sobre a fosfoetanolamina, a chamada pílula do câncer, que não possui eficácia comprovada);

– “Se o mosquito [Aedes Aegypti] se comprometesse a picar só quem mora na casa, era fácil, mas, infelizmente, ele não é disciplinado”. (Em coletiva)

Fonte: Fanpage do Movimento Fora Ricardo Barros

Para Wagner Sabino, é hora de reagir

Para o Dr Wagner Sabino, diretor do sindicato dos médicos do Paraná (Simepar ) , o ministro mostrou claramente de que lado está com suas colocações e ações com o propósito de desqualificar o trabalho da classe , diminuindo a importância de um sistema de saúde universal ao tecer críticas sem o menor conhecimento da realidade do caos que a saúde pública do Brasil se encontra.

Segundo o Dr Wagner Sabino, Ricardo Barros não tem competência e nem compromisso com a população brasileira que em sua grande maioria depende do SUS , e que ao seu ver está sucateado por conta dos interesses políticos de um governo sem apoio e sem a mínima idéia do que está acontecendo pelo país afora, com gente morrendo nos corredores dos hospitais e unidades de saúde devido a precariedade e falta de estrutura que são impostas aos médicos para realizarem os procedimentos necessários e básicos no atendimento a população.

“A situação da saúde em todo o país é apenas um reflexo do descaso dos políticos e de gestores que não consideram essencial à mais essencial das atividades do setor público que é a saúde . Não dá pra aceitar mais esse tipo de gente no comando, os médicos estão apenas querendo dar um basta nesse modelo de gestores que visam apenas ocupar cargos de alta relevância na área sem terem a nada de novo para apresentar, servindo apenas de negociadores do dinheiro público que deveria ser destinado a saúde.

Postado por Luara Claucio 

 

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