O ambiente escolar hoje não tem sido um espaço de integração, harmonia e aprendizado como deveria. Recentemente o Brasil foi apontado como o primeiro colocado, com o índice de 12,5% com a pior posição dentre os demais, no quesito violência contra profissionais da educação, segundo uma pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Não só dentre os profissionais da educação os índices de violência são preocupantes, mas também dentre os alunos 42% afirmam já ter sofrido violência verbal ou física nos últimos 12 meses, conforme a pesquisa realizada pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), em parceria com o Ministério da Educação e a Organização dos Estados Interamericanos (OEI) em 2015, foram consultados 6.709 estudantes, de 12 a 29 anos.

Os problemas são estruturais, as salas de aula possuem mais estudantes, do que as condições pedagógicas de ensino. Fazendo com que o distanciamento entre estudantes e profissionais da educação se tornem ainda maior. O formato da sala de aula não oferece condições para os estudantes fiquem em uma postura na qual permita que olhem todos uns para os outros e o professor deixe de estar em uma posição subjetiva como único detentor do saber. Provavelmente estando em uma posição que permita um sentimento de igualdade traria melhores condições de troca de aprendizado entre estudantes e educadores.

Os Professores tem que dividir o seu tempo, ensinando, planejando aula, corrigindo e avaliando, fazendo trabalhos administrativos de documentos, orientação aos alunos, atendendo pais, auxiliar na gestão escolar, somam-se  muitas tarefas para serem desenvolvidas em pouco tempo, já que a maioria dos educadores dão aula em mais de uma instituição de ensino por dia, uma vez que com isso não sobra pouco tempo para se dedicar de forma mais efetiva ao ato de ensinar.

As mais diversas formas de preconceitos dentro e fora do ambiente escolar é um dos agravantes das situações de violência física, institucional, moral e psicológica. Todos os dias presenciamos atos de intolerância com pessoas que tem pensamentos diferentes, ou seu jeito físico é diferente de algum padrão imposto socialmente, ou sua identidade de gênero é diferente da maioria, ou o machismo que prevalece fazendo com que as mulheres sejam vistas de forma rebaixada em comparação com os homens, ou em razão de alguma limitação física ou mental, ou por serem negros e negras, por fim são tantos os originadores de conflitos que não conseguiríamos listar todos. Estes fazem com que todos os dias ouçamos relatos de diversos tipos de violência e até mesmo homicídios.

E Internet?

Será que estamos ficando epidemicamente cegos? Será que não estamos mesmo mais conseguindo separar o que é brincadeira, o que é liberdade de expressão do que é bullying, preconceito e ódio?

Há pouco tem o governo federal lançou uma campanha chamada Humaniza Redes, que além do papel de ouvidoria e espaços de denúncias contra ações de ódio na web, também configura um espaço de educação para a paz, devido ao crescimento da cultura do ódio nas redes sociais. A internet é uma ferramenta importante para o desenvolvimento estudantil, porém há a necessidade de uma alfabetização digital, saber usar fazendo uma análise crítica das fontes de informações disponibilizadas on line.

Portanto, uma das maneiras da escola prover um espaço mais humanista é oferecendo condições de aprendizagem eficaz, além de possuir métodos de prevenção e administração de conflitos. Isso deve auxiliar os estudantes a serem cidadãos mais solidários, críticos, éticos e participativos, a partir do entendimento da realidade. As escolas precisam fazer constantes debates e formações aos profissionais da educação e seus estudantes sobre o combate ao preconceito, racismo, machismo e todas as formas de discriminação ruim, bem como possuir uma equipe multidisciplinar para planejar ações de prevenção, mediação, controle e acompanhamento de conflitos.

Marici Seles – Militante política e das causas populares, integrante da RMN-PR

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