Os profissionais de saúde do município de Colombo estão em greve desde o dia 13/06.

Em conversa com o diretor adjunto do sindicato dos médicos do Paraná, conselheiro fiscal da Federação Nacional dos Médicos e concursado no município de Colombo a cinco anos, o Dr. Wagner Sabino relatou a grave situação da saúde em Colombo.

Ele explica que os profissionais não estão parados a mais de trinta dias somente pensando neles, mas também para ajudar uma população que enfrenta a pior das situações que a saúde do município de Colombo poderia enfrentar. Os médicos, dentistas, enfermeiros trabalham em uma situação insalubre, com uma carga horária de trabalho que não os permite ter outros empregos, e sem nenhuma estrutura para exercer as funções da área de saúde, como: não tem vagas para internação, consultórios sem ventilação e falta de água potável. Ele deu um exemplo uma senhora chegou ao pronto atendimento com água no pulmão e ele pediu uma agulha de punção para retirar o líquido pulmonar, não tinha esse material e ficou olhando para a senhora, pensando “como posso salvar essa vida?”.

“O jeito é fazer o de sempre, pedimos na maternidade para que nos emprestassem uma agulha parecida com essa. A maternidade nos emprestou. Não era a adequada mas eu consegui retirar um litro e meio de água dos pulmões da senhora.” disse o doutor. Além de materiais como essa agulha, a maternidade de Colombo também emprestava medicamentos para o pronto atendimento. Mas não estão fazendo mais isso, pois eles não tem como devolver. Ainda segundo o Dr. Wagner, a gestão cria situações que forçam o funcionário a pedir a exoneração. De janeiro até agora, oitenta médicos já se desligaram da prefeitura e esse número representa a metade dos médicos concursados do município. O maior agravante de toda essa situação é que os usuários dos leitos do pronto atendimento não recebem nenhum tipo de refeição, nem ao menos uma bolacha água e sal e chá, dependendo às vezes da solidariedade de outras pessoas.

A gestão atual quer terceirizar os serviços de saúde. O Dr. Wagner relata que isso é muito ruim, pois já aconteceu em gestões passadas. “Naquela ocasião, houve inclusive desvios de verbas públicas. Eu mesmo tive que depor na Polícia Federal e qual não foi minha surpresa quando vi que o salário que eu recebia era completamente diferente do valor que a empresa terceirizada mostrou.” ele concluiu por experiência própria que terceirização não funciona na área de saúde em Colombo, pois não cria uma fidelização de médicos e nem mesmo uma relação médico-paciente.

O Dr. Wagner disse que os funcionários acham impossível a gestão dialogar para acertar todos os pontos os quais eles estão reivindicando e portanto tudo está sendo tratado no âmbito judicial. Enquanto isso, sofrem juntos os profissionais e a população que precisa deles. A saúde pública do município de Colombo nunca esteve tão ruim: abandonada, profissionais desvalorizados, sem nenhuma estrutura, definitivamente a saúde de Colombo está na UTI. Para o Dr. Wagner, é urgente que a gestão tenha esse diálogo, que a secretaria de saúde enxergue, que o ministério público interfira para que se possa tirar a saúde do município dessa situação caótica.

Matéria de Regina Brasil

 

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