CRM-PR repudia fala do ministro da saúde e se solidariza aos médicos que se dedicam à estrutura assistencial pública, contribuindo para que sejam posicionados como os profissionais com maior credibilidade e confiança junto aos brasileiros, conforme pesquisa recente do Datafolha

Diálogo, transparência, competência e união de forças são instrumentos que vêm sendo perseguidos para que o Sistema Único de Saúde, depois de quase três décadas, cumpra de forma plena os seus preceitos constitucionais de oferecer à sociedade o seu direito à saúde sob os princípios da igualdade, universalidade e integralidade. É de grande lamento que, no esforço agregador em prol do melhor na atenção à assistência da população, o gerenciador do sistema, investido na função de ministro da Saúde, cumpra papel desqualificador dos profissionais de saúde no afã de transferir responsabilidades e encobrir as mazelas que flagelam o SUS.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná considera inadequada, inoportuna e ofensiva a fala do ministro Ricardo Barros, debitando aos médicos parte dos males que conduzem ao desabastecimento assistencial. Conveniente lhe é, respaldando sua omissão, ignorar que os médicos, enquanto parte de equipe multiprofissional, são responsáveis por salvar vidas, aliviar sofrimentos e produzir importantes avanços nos indicadores de saúde, como a queda da mortalidade materno-infantil.

Programas de grande relevância subsistem graças ao empenho do profissional médico que, mesmo diante do subfinanciamento crônico de um sistema que também o remunera muito mal, desdobra-se altruisticamente em seu mister. Os médicos orgulham-se sim de cumprir sua missão hipocrática com dedicação e competência, mesmo diante de tantas incongruências e do olhar amblíope de um ministro na avaliação de seu trabalho.

No cenário sombrio a que Nação é alcançada, especialmente pela ignorância às leis e aos costumes por aqueles incumbidos de traçar nossos destinos, o que menos precisamos é de acirramento de conflitos e agressões aos segmentos produtivos da sociedade. A saúde é o item de maior apelo entre os brasileiros, o que atesta as fragilidades do sistema público.

Buscar as soluções não passa pela ofensa àqueles que são a base estrutural dos serviços, muito menos dar de ombros aos que necessitam de assistência. Assim, o mínimo que se espera é uma retratação pública do ministro e a adoção de medidas de sua competência para minorar os problemas no SUS e valorizar aqueles que o servem condignamente.

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO PARANÁ

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