Passei o dia toda olhando para a página em branco, pensando qual seria o assunto desta semana para a coluna.

E por fatos, história e movimentos que tenho para destrinchar, mais ao longe ficava o raciocínio.

Simplesmente deu um branco.

Aí me dei conta que esse branco só aconteceu por um único motivo: a situação política atual! De tão surreal, tão surreal que se encontra, ninguém, nem a mente mais brilhante, nem o Duvivier, conseguiria escrever um roteiro tão esdruxulo como esse.

O enredo, que muitos consideram “plágio de uma situação recentíssima vivida no congresso”, inicia com o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, caindo no canto da sereia do PSDB, sendo uma mistura de Eduardo Cunha e Michel Temer no ardil do impeachment de Dilma, já articulando apoio ao seu futuro governo, convidando possíveis ministros, entre eles o ex-presidente FHC, recebendo empresários fora da agenda oficial, coisa que sempre foi habitué nos meandros da política brasileira. Só está faltando a cartinha, sim, uma cartinha do Maia para o Temer para que o The End do “golpe no golpe”.

Passa pela situação vivida por alguns deputados na CCJ, como a de ontem (10), vi o deputado federal Delegado Waldir (PR-GO), esbaforido, com raiva, usando alguns adjetivos impublicáveis, por ter sido substituído na CCJ e perguntei-me: Cara ele está reclamando do que mesmo? Esse governo só está aí com o aval e voto dele. Ou ele achou que só o PT era sujinho?

Até a energia do senado foi cortada por ordem do Presidente da Casa, Senador Eunicio Oliveira, em decorrência da obstrução da pauta da reforma trabalhista, o que é coisa absolutamente normal, vindo desde a emenda Dante de Oliveira para as diretas em 1984, quando na tentativa de obstruir a votação, alguns deputados não apareceram no congresso. Mas cortar a energia? Nunca tinha visto isso antes.

Por fim, ver FHC pedir a renúncia do Temer e clamar por eleições diretas SEM CONCHAVO (hã? Como? Não entendi), depois de iludir Maia ele me solta essa perola?

Enfim… não tem mente criativa que consiga escrever algo lógico no meio de um hospício desse. Como diria um pequeno conhecido meu: “Rodrigo Maia vai ser o rei da malucolândia”!

Rita Gomes Todeschini é blogueira politica de Brasilia

 

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