A solidão aumenta, a depressão avança, apesar do número de pessoas conectadas nas redes sociais crescer exponencialmente. Do que as pessoas estão em busca ao gastarem diariamente tanto tempo em redes sociais?

Em sua tese de Mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade de Brasília (2006), Andrea C. Vaz Cid, apresentou conceitos e explicações interessantes sobre este assunto que abordarei agora em resumo. Vale à pena ler o trabalho dela na íntegra cujo título é: “Tudo pela Fama – idealizações narcísicas na contemporaneidade”. Acesse esta tese pelo site da Universidade de Brasília em: http://repositorio.unb.br/handle/10482/3546

Andrea cita Nicolaci da Costa (1998), psicóloga, que investiga impactos psicológicos de processos de mudança social. Avaliando comentários de usuários de sites de relacionamentos na Internet, verificou que o sentimento de pertencimento, que pode ser difícil de ser concretizado no mundo real, é algo rápido e prazeroso no mundo do virtual.

Pertencimento em psicologia tem que ver com a necessidade de pertencer (definida pelo psicólogo Abraham Maslow) no ser humano como ser social. Precisamos pertencer a um grupo, interagir com ele, amar as pessoas, ser amado. Sem isso é difícil desenvolver respeito pessoal saudável. Será a necessidade de pertencimento o motivo básico pela comunicação em massa no mundo pelas redes sociais? Por que elas não se sentem satisfeitas com contatos reais, com amizades presenciais?

A necessidade de pertencimento pode ser uma causa psicológica importante que leva pessoas às redes sociais como um meio de não se sentirem estranhas, desconhecidas, ajudando no contato com outras do mesmo estilo de vida, interesses, sofrimento, sonhos.

Internet é um “novo modo de sociabilidade, onde o indivíduo sente-se seguro e valorizado.” Ela “oferece não só a sensação de presença, pertencimento e participação, como também ser olhado e admirado.” (p.38). O desejo de ser amado, aceito, e até exaltado, leva pessoas a postarem fotos, vídeos, imagens, frases, por acharem que exercerão impacto positivo sobre quem elas se comunicam nas redes. Nicolaci (1998) verificou que “muitas vezes durante as conversações, o que o indivíduo descreve de si mesmo é um eu criado para exibir ao outro aquilo que deseja, o que não corresponde com o seu eu real.” (p.40).

Será que muitos que estão em redes sociais se sentem sem boa identidade, ou sem identidade estando com elas mesmas? Lucimara Moriconi, na monografia “Pertencimento e Identidade”, Univ. Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, p.16, 2014, cita Maturana e Rezepka (2003, p.10): “…Quem busca a sua identidade fora de si está condenado a viver na ausência de si mesmo, movido pelas opiniões e desejos dos demais, “não estará nem aí.”

Não se compare com gente famosa ou não. Seja você mesmo. Há beleza, criatividade, talento, em você não existente assim em qualquer outra pessoa no planeta. Com certeza há necessidade de você crescer, amadurecer em algum aspecto do seu ser. Isto ocorre com todos. Não há ninguém “pronto”, que “chegou lá”, quanto à maturidade emocional, discernimento espiritual. Todos estamos no caminho. Alguns regredindo, outros parados, e um grupo menor avançando.

Evite a autocentralidade, o exibicionismo, a obsessão pela visibilidade. Estas coisas conduzem ao vazio, à permanência da falta de sentido. Sua angústia, sua necessidade saudável de pertencimento, seu medo de solidão, não serão resolvidos pela busca de fama, de “visibilidade” nas redes sociais. “Novamente parece que o medo de permanecer no anonimato e sentir-se não existir prevalece e impulsiona a busca por formas de se fazer visto e se fazer valorizado através da fama. Não há somente uma busca de sucesso e fama, mas sim de um abafamento do sentimento de vazio de nada ser.” Vaz, p.118.

Acho oportuna a recomendação do apóstolo Paulo ao dizer: “Não se conforme com este mundo.” Romanos 12.2, um mundo tecnológico, globalizado, descendo para o câncer da depressão, da violência, da corrupção, dos rompimentos familiares, do materialismo e consumismo cruéis e doentios. Desde o tempo de Paulo as coisas mudaram drásticamente com a revolução industrial, tecnologia, eletrônica, viagens espaciais, satélites, comunicação em tempo real globalizada. Mas o problema emocional e espiritual humano continua o mesmo: o vazio ou angústia existencial. Redes sociais resolvem isto?

Quer ser alguém de valor na vida? Valorize o que existe de bom em si. Pare de se depreciar. Não se compare com outras pessoas. Respeite o que tem conseguido fazer de útil na vida apesar de seus conflitos internos e interpessoais. Não tem feito nada útil? Decida fazer e faça. Dê o primeiro passo. Saia da zona de conforto egoísta. Tem gente “lá fora”, no mundo real, que precisa de ajuda com o que você sabe e possui.

Fonte: 

Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com.br

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