O dia 25 de julho celebra o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e no é o Brasil Dia de Tereza de Benguela, líder quilombola que se tornou rainha, resistindo bravamente à escravidão por duas décadas.

A população negra no Brasil corresponde a 53% de brasileiros segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2014. O Paraná é o Estado com maior população negra da região do sul do país, com 28,2% de pessoas pretas e pardas (Censo 2010) e segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA 2011 possui 18% da população se declara preta ou parda (negra). Mesmo tendo este número expressivo de população negra não se tem um equilíbrio proporcional quando falamos em oportunidade de direitos.

 

Quantas mulheres negras chegam ao Ensino Superior?

 

Com certeza quando conseguem é muito mais dificuldade que as mulheres brancas que sempre ocuparam este espaço. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 23,8% das mulheres brancas entre 18 a 24 anos chegam ao ensino superior e apenas 9,9% das mulheres negras em 2015 chegaram a este patamar de formação.

 

O Racismo é simbólico? O que é “cara” de advogada?

 

“Quando me formei, escutei que não tinha cara de advogada, mas minha “colega” branca ao lado tinha. ”  Luana Maria de Lima Oliveira

 

Onde estão as mulheres negras no mercado de trabalho?

 

Na categoria de trabalhadores com menores remunerações, condições limitadas de acesso aos direitos trabalhistas e muitas vezes em condições precárias de trabalho ali estão a maioria por mulheres negras. Seria uma herança escravocrata? Piores salários, maior desgaste físico, condições precárias de trabalho.

No mercado de trabalho em geral o salário do homem negro é 30% menor do que o do homem branco para executar a mesma tarefa e as mulheres negras ainda mais discriminadas ganhando apenas 34% do salário do homem negro em 2007.

No entanto, podemos apresentar avanços conforme dados do IBGE entre os anos de 2003 e 2010 houve aumento na ocupação de mulheres negras em cargos de supervisão, a evolução foi de 13,5% para 25,6% e no âmbito operacional de 8,8% para 13,2%, porém são dados ainda muito tímidos e insuficientes para resolver a disparidade de direitos em comparação com a população branca precisamos continuar avançando.

Com relação a saúde das mulheres negras também existe uma disparidade de direitos e o racismo também é um agravante já que 60% das mães mortas durante partos no SUS são negras conforme dados do ministério de saúde. Ainda hoje muitas enfermeiras e médicos atendem de forma diferente as mulheres brancas e negras mantendo um pensamento mesquinho e racista de que as mulheres negras são mais fortes que as brancas.

 

Você já fez leitura sobre a trajetória de muitas mulheres negras guerreiras?

 

Já viu elas serem pelo menos citadas nos livros de história que estudamos na educação básica?

 

Fica a dica para ler mais sobre as estas mulheres que foram muito importantes para a nossa história:

 

Assim como Tereza de Benguela, muitas mulheres negras deixaram um legado, que cabe a nós reverenciarmos e visibilizarmos a emancipação das mulheres negras, como forma de homenagear; Antonieta de Barros, Aqualtune, Theodosina Rosário Ribeiro, Benedita da Silva, Jurema Batista, Leci Brandão, Chiquinha Gonzaga, Ruth de Souza, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Maria Filipa, Maria Conceição Nazaré (Mãe Menininha de Gantois), Luiza Mahin, Lélia Gonzalez, Dandara, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Mãe Stella de Oxóssi, entre tantas outras.

 

Então para evidenciar a importância do combate ao racismo e o machismo precisamos nos mobilizar e participar de ações de promoção da igualdade racial e de gênero e para consolidar isso a Rede Mulheres Negras – PR (RMN-PR) está promovendo o calendário ‘Julho das Pretas PR – 2017’ no qual terá durante todo o mês de julho de 2017 oficinas, encontros, homenagens, apresentações culturais e vamos pra rua.

 

PRETA CONFIRA PROGRAMAÇÃO COMPLETA E PARTICIPE!

https://goo.gl/84GY6a

 

#JulhodasPretasPR  #redemulheresnegraspr #mulheresnegras

 

Marici Seles – Militante política e das causas populares, integrante da RMN-PR

Deixe uma resposta