Ser eleito vereador e representar o povo dentro da Câmara Municipal, é um sonho dos mais de 400 candidatos que colocam seus nomes a disposição nas eleições que ocorrem de quatro em quatro anos em Colombo. Você já deve ter ouvido vereadores e ex-vereadores dizerem a seguinte frase: “Aqui fora a gente pensa que é uma coisa, lá dentro (câmara) é totalmente diferente”.

Essa frase muitas vezes nos intriga e deixa uma pergunta no ar. Por que lá dentro é diferente? Vou tentar explicar, o povo tem o poder absoluto (título de eleitor) na decisão em que rumo a cidade vai caminhar, por meio do voto passa esse poder a uma outra pessoa, que em tese, deveria ser o líder e a voz daquele que acreditou em suas promessas. Mas ao ser eleito o então líder da comunidade se depara com a sua primeira prova de fogo e muitas vezes de caráter, a escolha do Presidente da Câmara de Vereadores. Quase sempre o prefeito eleito indica o seu “homem” de confiança e meses antes das eleições procura os vereadores da nova legislatura, e é ai que começa o “diferente” acontecer.

Muitas vezes para votar no indicado do prefeito, o vereador acaba “conquistando” alguns cargos em Secretarias Municipais ou até mesmo dentro da casa de leis. Você pode até achar que isso não é crime, tá dentro dos acordos políticos, mas saiba que essa “negociação” é o início para que o vereador eleito para representar o povo, se transforme em marionete e defensor do poder executivo, muitas vezes aprovando projetos que podem prejudicar aqueles que o elegeu, mas que por outro lado beneficiará quem está no poder (prefeito). Mas não é possível romper esse cordão umbilical? Será que o vereador nesses quatro anos ficará submisso aos mandos e desmandos do prefeito, sem ao menos ter suas vontades respeitadas?

As vontades dos vereadores podem até serem respeitadas, mas se ele estiver aliado e nas mãos do poder executivo, dificilmente isso vai acontecer. A rebeldia de um vereador da base (como é chamado aqueles que defendem o prefeito) pode lhe custar os cargos nas secretarias, a rejeição de projetos dentro da câmara municipal, e quase sempre os pedidos para consertos como iluminação pública, patrolamento e ensaibramento das ruas, manilhas em valetas, operação tapa buracos e roçadas de terrenos baldios, serão cortados. Para o vereador que não tem conhecimento do seu verdadeiro papel que é legislar e fiscalizar o poder executivo, isso pode significar o fim da sua carreira política, pois o mesmo fez campanha em cima de promessas que não lhe competia e que sem a “vontade e troca de favores” podem não acontecer.

 

 
Nessas últimas semanas estamos acompanhando a polêmica votação do Projeto de Lei 007/2017 que mexe com os direitos dos servidores municipais, muitos não conseguem acreditar que o vereador que tanto dizia “se for eleito vou te representar”, hoje está nas mãos da Prefeita Beti Pavin. Estaria ele com medo de perder alguns cargos ou as outras coisas que citamos durante a nossa matéria? É triste, mas é a realidade.
Maicon Martins é estudante de Direito e Ativista Politico

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