Diretores do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná visitaram nesta quarta-feira (21) e quinta-feira (22) algumas unidades de saúde de Colombo.

Na ocasião os diretores do sindicato Dra. Claudia Paola Carrasco Aguilar e Dr. Brasil Vianna Neto conversaram com os médicos da rede pública de saúde de Colombo e com a população sobre as reivindicações dos profissionais.

Em greve desde o dia 13 de junho os médicos lutam por melhorias na estrutura das unidades, melhores condições de trabalho, reajuste salarial, entre outros. No Pronto Atendimento do Alto Maracanã, por exemplo, a superlotação e a falta de estrutura e medicamentos prejudica os atendimentos aos pacientes de emergência e que precisam ser encaminhados para hospitais e especialistas.

A Secretária Geral do Sindicato, Dra. Claudia Aguilar na ocasião disse que “a estrutura está doente, a estrutura da saúde não foi priorizada, não tem pessoal suficiente, material adequado, esses problemas se arrastam a algum tempo nas unidades”.

O Diretor do Sindicato Dr Brasil Vianna Neto conversou com os médicos quanto às condições de trabalho e as dificuldades enfrentadas nas unidades que tiveram o atendimento reduzido devido aos problemas que estão sendo pouco a pouco identificados. Os diretores do sindicato identificaram pessoalmente as dificuldades enfrentadas nas salas improvisadas da unidade.

Além desses problemas, as condições de trabalho na referida unidade são preocupantes. Na ocasião da visita a equipe do sindicato pôde verificar diversas infiltrações, paredes mofadas, salas sem ventilação, banheiros sem manutenção. Soma-se a isso o fato de que não há fornecimento de alimentação adequada para as pessoas que estão há dias internadas na unidade.

A Sra. Cerli Aparecida Gregório está com a mãe que teve um AVC desde o dia 10 de junho no pronto atendimento do Alto Maracanã esperando por uma vaga, e diz estar sendo bem tratada, porém, queixa-se que “os pacientes não têm alimentação, as pessoas que entram aqui não têm condições, hoje minha mãe está aqui esperando há 10 dias por uma vaga, mas eles estão atendendo bem, colocaram sonda e a medicação a espera pela vaga continua e só Deus sabe quando vai vir”.

O Sr. Fábio Luiz de Sousa que estava acompanhando a esposa, também quis expor sua preocupação “Minha esposa está internada desde sexta dia 16 de junho, ela está com um problema no coração e precisa urgentemente fazer uma cirurgia. Ficou em uma sala de risco e agora está em um quarto com superlotação.

O Sr Adão da Silva Schimedisch que estava acompanhando seu pai pede por melhores condições “isso precisa ser cobrado da Prefeitura, a situação é crítica não tem alimentação, não tem nem copo plástico para tomar uma água, o banheiro ficou dias estragado sem manutenção os médicos estão fazendo o que podem para nos atender mas precisamos de ajuda, nossos familiares estão morrendo”.

Ainda de acordo com os médicos que atuam na unidade, a falta de insumos, medicamentos e até aparelhos dificulta ainda mais o trabalho e atendimento à população.

Para Dr. Humberto Blanco médico há mais de 20 anos no Município de Colombo, o grande problema com a demora no atendimento ao paciente é por falta de profissionais médicos, “a Secretaria de Saúde por decisão própria fechou dois centros de especialidades de pronto atendimento de Colombo deixando o Município sem atendimento especializado, só ficou um Pronto Atendimento de referência, no entanto não aumentou o número de médicos. Pelo contrário nos dois últimos meses 60 médicos pediram exoneração”.

Dr. Humberto ressaltou que “por pressão da Secretaria de Saúde o centro de especialidades que tínhamos dois no Município fecharam e não tem especialistas para a população só temos os clínicos, o médico na unidade de saúde tem limitação de consultas são 10 a 12 consultas por médico, teria que aumentar o número de médicos nas unidades para as pessoas não terem que esperar por tanto tempo no atendimento. Outro grande problema é que não temos um hospital de referência para encaminhar, um paciente procura a unidade e precisa de internamento e fica na unidade que não é um hospital”. “Não temos salas com estrutura para internação, medicamentos adequados e fica no posto até quando? Até quando Deus tiver compaixão dos pacientes, tem muitos pacientes que acabam morrendo na unidade por falta de condições de atendimento. Dentro das condições os médicos estão atendendo, mesmo no caos. A população que está sofrendo com tudo isso, as famílias que estão perdendo familiares assim, ficam horas esperando por atendimento nessa situação”.

O estado precário da estrutura das unidades de saúde de Colombo vem sendo alarmado pelos profissionais há muito tempo, mas a gestão não toma providências. De acordo com a equipe do corpo clínico a estrutura não suporta a quantidade de pacientes, sendo o extremo da situação. Faltam materiais essenciais para melhor atendimento e há preocupante sobrecarga de trabalho dos médicos.

Diante da visita aos postos entende que é urgente que se proceda logo uma posição aos médicos para que possam trabalhar com dignidade e alertar o Ministério Público e Estado para que as necessidades sejam atendidas e o acordo seja feito.

No momento não há resposta por parte da prefeita sobre a audiência que os profissionais esperam para tentar chegar a um acordo. O corpo clínico espera que o secretário reveja sua postura e pede que a população esteja atenta ao que está ocorrendo neste momento de negociação por melhorias nos Prontos Atendimentos de Colombo.

Fonte: Simepar

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