Diante dos últimos acontecimentos, não poderia deixar de escrever sobre o assunto.

“No final dos anos 1990, início dos anos 2000, aquele pequeno frigorífico localizado em Anápolis (GO) colocava em curso seu plano de ser um dos, senão o maior, conglomerado brasileiro do setor.

Com o apoio incondicional do governo instalado no Palácio do Planalto em 2003, e com as já sabidas facilidades obtidas via BNDES, governo e autarquias do setor financeiro, aquisições foram realizadas, no Brasil e no exterior.

Mas o que isso tem a ver com a atual situação política do País e a delação de Joesley?

Ora, a semelhança está no modus operandi dos Batista, sempre se valendo do poder público para atender a seus interesses particulares.

Nos últimos dias os noticiários dedicam diariamente a maior parte de seus comentários às delações dos executivos da J&S, holding que administra o grupo da família Batista, em particular, às que envolvem o Presidente Michel Temer.

Divulgam gravações, transcrições e vídeos, e, também, a forma como eles foram obtidos.

No caso do Presidente Temer, o que se nota é a clara intenção de Joesley em direcionar a conversa que estava tento com o governante para assuntos escusos. Sua insistência chega a ser inconveniente, mas, apesar da situação, parece que, perante a mídia, em especial ao editorial de O Globo, conseguiu seu intento.

Agora pergunto: se Joesley, família Batista e o Grupo já vinham sendo investigados nas operações Lava Jato a Greenfield, qual teria sido realmente o objetivo dessas gravações?

Ainda, conforme se destaca na mídia, as filmagens, o rastreamento do dinheiro, e outros procedimentos foram realizados pela Polícia Federal.

Olhando para esse cenário, não se vislumbra outra conclusão não ser a de que Joesley Batista se valeu, mais uma vez, das instituições brasileiras para livrar-se das consequências dos atos praticados, obtendo benefícios que até agora não foram auferidos a nenhum dos indiciados em nenhuma das investigações em curso. Isso ficou mais claro quando a família “mudou-se” para os EUA levando gato, cachorro, papagaio, etc.

Assim, fica uma pergunta a ser respondida:

“Até que ponto essas gravações (editadas) e vídeos são isentos de primeiras intenções? Ou foram realizadas, de comum acordo com quem colaborou na sua produção, com a clara intenção de enredar o Presidente num processo onde não existiria nenhuma prova contra ele?” Ou, mais uma vez, serviram apenas para livrar a cara de empresários cuja idoneidade, digamos, não seja assim tão ilibada?

Lembrem-se da declaração da ex-ministra do STJ e ex-corregedora nacional de justiça, Dra. Eliana Calmon, quando se referiu à delação da Odebrecht:

 

“É impossível levar a sério essa delação caso não mencione um magistrado sequer.”

Rita Gomes Todeschini é blogueira de Brasilia , e articulista politica

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