“Eu lembro dele falando no meu ouvido, sabe assim a barba perto da minha bochecha, eu tenho nojo. ”  “Eu queria que ele não tivesse existido. Que não tivesse cruzado o meu caminho. ”  “Desde a primeira vez eu senti que não era brincadeira. ” “Se eu passo na rua e alguém mexe comigo eu sinto nojo de mim. ” “Se você fizer o que eu o vovô compra o fichário” “No elevador ele apertava o botão do primeiro e do último andar e com uma criança no colo passava a mão no meu corpo que estava de maiô. ” “ Não fala nada para a sua vó e seus tios se não eles vão te bater. ” “Não fala para ninguém se não seu pai vai me matar”.  “Quando eu falei para a minha mãe ela não acreditou, eu prometi a mim mesma que não iria mais falar. “ “Eu estava na quarta série eu não poderia fazer nada, o que eu poderia fazer? ” “Medo sinto medo de tudo. ” “Eu não sabia se aquilo era certo ou errado, eu era uma criança não entendia. ” “Eu nunca falei com ninguém, agora que falei é como tirar um peso de cima de mim. ” “Eu quero que isso não aconteça com mais nenhuma criança. ” “Não fique em silêncio! ”

 

Os relatos apresentados fazem parte do Documentário “Ele” que conta a história de quatro mulheres que convivem com o drama de ter sofrido abuso sexual na infância. Elas falam sobre como tudo aconteceu, os medos, angústias, e dúvidas que ainda as rodeiam depois de tantos anos.

O abuso sexual infantil é um problema de saúde pública que caracteriza formas graves de violação dos direitos humanos e causa impactos relevantes na saúde física e mental das vítimas.

Os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes não são divulgados para preservar a intimidade da vítima conforme previsto no Estatuto da Criança e Adolescente. Mas a estatística das denúncias feitas ao Disque-Denúncia Nacional, “Disque 100” nos casos de abuso sexual infantil são alarmantes mais de 17,5 mil crianças e adolescentes, sendo que 80% das vítimas são do sexo feminino, foram vítimas de abuso sexual no Brasil em 2015 quase 50 por dia durante o ano inteiro.

Segundo pesquisa do Ipea, 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos e conhecidos da vítima, muitas vezes, e muitas vezes ocorre dentro da sua casa.

As marcas da violência perduram para o resto da vida os sentimentos que as crianças e adolescentes passam a ter depois de serem vítimas de violência sexual são:

– Confusão: Pensar que é normal, porém estranha por que o abusador pediu para não contar para ninguém.

– Culpa: por que não consegue conter o abuso, por receber presentes em troca da violência.

– Medo: de que todos saibam que foi abusada e de ter sofrido um dano físico irreparável.

– Raiva:  de todos, abusados, de si mesma, dos responsáveis que não a protegeu.

– Perda de confiança: nos pais, nos responsáveis e nos adultos em geral.

 

COMO DENUNCIAR?

Para ajudar a combater a violência contra a criança e adolescente, o Governo do Estado criou o serviço Disque-Denúncia 181 – Violência Contra a Criança.

Quando uma pessoa liga para 181, a denúncia é registrada e será investigada. Se a violência estiver ocorrendo no momento da ligação, a situação é imediatamente encaminhada para a autoridade do município e para o conselho tutelar para as devidas providências. A ligação é gratuita, tem garantia do anonimato de quem denuncia e as informações são repassadas aos órgãos voltados à proteção infantil e de adolescentes, como as delegacias responsáveis pelos casos e o Ministério Público”, reforça o coordenador do serviço, capitão Edivan Fragoso.

Outros meios de denúncia é procurar o Conselho Tutelar, delegacias especializadas, autoridades policiais ou ligar para o Disque-Denúncia Nacional, o Disque 100, vinculado à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

 

Marici Seles – Assessora Parlamentar Deputado Estadual Professor Lemos PR

 

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