Um fenômeno freqüente em conflitos sérios entre parceiros aparece no que Bert Hellinger chamou de “dupla transferência”. Se uma injustiça cometida entre um homem e uma mulher, numa geração anterior, não teve a devida compensação, esta é transferida para seus descendentes. Ela atinge então pessoas totalmente inocentes, acrescentando uma nova injustiça à primeira. Assim, por exemplo, uma mulher “bondosa” e compassiva tolera, por anos a fio, os casos públicos de seu marido que muito a magoam, mas sua filha assume a vingança em nome da mãe. Entretanto, como também ama e protege o pai, vinga-se em seu marido, molestando-o abertamente com um namoro. A transferência no sujeito significa aqui que ela age em lugar de sua mãe. E a transferência no objeto significa que a compensação não se dirige à pessoa do pai, mas ao marido. Embora inocente, este é chamado a pagar por uma injustiça na família de sua mulher. Ao mesmo tempo a filha torna-se semelhante ao pai em seu comportamento, não agindo melhor do que ele.

Certa mulher estava sempre muito irritada com seu marido e, como ela própria notou, sem razão. Na constelação, ficou claro que ela representava uma tia que, como primeira filha de mãe solteira, fora totalmente excluída da família por seu avô. Em substituição a essa tia, a mulher assumiu a raiva pela injustiça mas, poupando o avô, dirigiu-a contra o próprio marido. Ao mesmo tempo, e sem consciência do fato, deu à sua filha mais velha o mesmo nome da tia. A história somente lhe foi revelada por uma conversa telefônica posterior com o próprio pai.

Uma outra mulher, que era bonita mas tinha uma fisionomia muito carregada, era seguidamente abandonada pelos homens. Não dava a impressão de ser agressiva, mas comportava-se como uma vingadora cautelosa, aguardando o momento certo para o golpe. As informações sobre sua família revelaram que sua mãe, aos doze anos de idade, fora estuprada e quase morta. Na constelação a mulher experimentou o medo pânico de sua mãe e, assumindo o papel de sua representante diante do agressor, bradou-lhe no rosto: “Eu mato você!” Foi somente o reconhecimento desse agressor como primeiro homem da mãe, e uma profunda reverência da mãe e da filha diante do destino que uniu a mãe e seu agressor como homem e mulher num evento terrível e sem saída, que trouxe alívio e luz ao semblante da jovem mulher. Então ela pôde entender seus impulsos de vingança diante dos homens, e em que medida nisso ela se ligava à mãe e ao mesmo tempo se tornava semelhante ao agressor.

Jakob Robert Schneider
Versão elaborada de uma conferência proferida no 3º Congresso Internacional de Constelações Sistêmicas (Würzburg, Alemanha, 2001). Traduzido por Newton Queiroz, Rio de Janeiro, jan. 2003.

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Namaste
Fernanda Oliva

Fonte: https://www.facebook.com/movimentodaalma/posts/1590636560948741:0

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