Com o comando da regional do Alto Maracana entregue para Amauri Cardoso , mais uma vez o ex-prefeito João Dalprá fica relegado a um segundo plano, ou talvez nem isso. Sua biografia e sua história na política colombense não é merecedora de mais esse gesto por parte daqueles que hoje estão no comando do município, e devem esse privilégio ao ex-prefeito. Dalprá sempre foi leal e fiel aos seus companheiros , nunca jogou para a torcida , suas posições sempre foram transparentes , e não se deixou levar pela ambição e vaidade dos cargos que ocupou .

Se hoje o grupo de Beti Pavin está tendo a oportunidade de governar o município pela quarta vez , é bom lembrar que em 1988 o então vereador João Dalprá , não recusou disputar uma eleição que muitos davam como ganha pelo rolo compressor da oposição  comandada por Edson Jhonsson , e uma leva de legendas e caciques políticos de Colombo , sem contar o empresariado que hoje detém o domínio sob o poder político do município em suas mãos cheias de dinheiro e amigos na prefeitura. Nesse time  tinha Pavin, Mottin e afins…

Em 1988 , apesar da boa gestão de Lordes Geraldo, o PMDB não tinha um grupo com nomes viáveis em condições de bater de frente com a candidatura Jhonsson. O racha ocorrido após a derrota de Chemin para deputado estadual em 86 ,  provocou a debandada geral da maioria para o time oposionista. Lordes Geraldo não aceitava Jhonsson como candidato , havia rompido com Chemin e seu grupo. Ou seja , dos políticos com respaldo popular só ficou mesmo João Dalprá, então ex-presidente da Câmara e cumprindo seu terceiro mandato como vereador, e sempre entre os mais votados .

Mesmo sendo sondado por Jhonsson para troca de lado o valente e leal Dalprá manteve se no PMDB , e aceitou o desafio de enfrentar o gigante “Golias” .

Mas só Dalprá não bastava , o grupo não tinha nomes para ocupar a vice da majoritária. Lordes Geraldo escolheu então o diretor do departamento de engenharia e urbanismo Edson Strapasson, que apesar de ser ligado à política , não era político, seu cunhado o empresário e vereador Dércio Mottin era um dos fiadores da campanha de Jhonsson. Mas com seu perfil técnico e para fazer o contraponto ao arquiteto candidato da oposição , foi convencido por Lordes a ser o vice da chapa peemedebista.

Por outro lado Beti Pavin relutou muito em ser candidata à vereadora , porém , sabia que aquela seria a sua hora e oportunidade. Se elegeu com folga.

Com a chapa pura sangue o grupo do PMDB partiu para a luta, enfrentando todo o tipo de dificuldade , e com poucos recursos . As chances de vitória até os últimos quinze dias eram remotas .Mas Dalprá venceu por uma margem de 180 votos. Uma batalha decidida na última urna.

Durante sua gestão o “simplório ” prefeito não fechou espaços para ninguém. Edson Strapasson era o vice participativo , não era um vice decorativo como hoje . Beti Pavin e os secretários tinham liberdade de trabalho e opinião. Dalprá deixou a sub-prefeitura do Maracanã sob a batuta de Lordes Geraldo. O grande problema foi o fato do ex-prefeito querer interferir demais na administração do novo prefeito ,  a famosa síndrome do criador querendo ser o dono da criatura. Não demorou muito para o racha , provocado mais pelo grupo da antessala do que por Dalprá. E também porque Edson Strapasson já tinha tomado gosto pelo poder. Seu nome passou a ser o mais forte para á sucessão da situação ,  com Beti Pavin de vice . Não deu outra. Disputaram e venceram . Beti Pavin foi eleita prefeita em seguida , no ano de 1996, tendo João Dalprá na vice.

Dalprá , como sempre aceitou tudo aquilo que lhe foi proposto , e com o instituto da reeleição aprovado , teve que encarar duas vezes a vice de Beti .Quando chegou a hora da contrapartida por parte da atual prefeita em 2004 , o vice Dalprá foi escanteado,  e aí não resistiu mesmo, foi apoiar Jota Camargo e ajudou o ex-prefeito a vencer duas eleições.

Dalprá sempre foi um empresário bem sucedido ,  como político nunca se aproveitou dos cargos para engrandecer seu patrimônio , pelo contrário se hoje está ocupando uma cargo em comissão é porque precisa. Já os amigos e familiares que tiveram a chance de entrar com ele na prefeitura estão numa bem melhor…e bota melhor nisso.

O ex-prefeito João Dalprá entrou para a história da política de Colombo, mas só isso não basta para que seus companheiros ao menos façam uma reflexão da sua importância em suas carreiras públicas e deem  a ele o respeito o valor que  merece.

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