Cultura: Entrevista com Marinei Vidolin

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Ela é considerada a melhor Diretora que passou pelo Departamento de Cultura de Colombo desde que o orgão foi criado em 1983 . Sua atuação durante seis anos á frente da pasta ainda é lembrada pelos movimentos culturais e pela população como  a mais significativa , aquela que deu uma guinada de 360 graus na cultura colombense , e que hoje vive dias de muita indecisão em suas ações , e não estão colocadas na pauta da atual gestão ,  como deveria estar. Marinei Vidolin , dirigiu o Departamento na gestão de Jota Camargo , e através de sua capacidade de gestora cultural e educadora conseguiu realizar muito e com pouco recursos , na entrevista que fiz , ela fala de todas essas realizações e qual o caminho que Colombo deve seguir e aquilo que realizou . Confira:

Você acompanha a cultura de Colombo desde quando?
Moro em Colombo desde que nasci, sempre fui ligada na área Cultural, venho de uma família de Educadores, então Educação e Cultura correm nas minhas veias. Minha vida profissional tem raiz na área corporativa, o convite para assumir a pasta da Cultura foi meu primeiro contato com gestão cultural governamental. Neste período pude aprender bastante e misturar os conhecimentos de Administração, Gestão e Cultura.
Quando você assumiu a pasta como estava ?  Tem algo a dizer sobre as gestões anteriores a tua? 
Infelizmente não consegui estudar o que os colegas anteriores fizeram, tenho pouco conhecimento quanto a isso. Sempre existiu alguma movimentação, mas voltadas apenas, ou principalmente para as Escolas Municipais. Na maioria do tempo, foram pessoas envolvidas com a Educação, nunca Gestores Culturais. Os servidores do Departamento tem boa vontade, mas dependem muito do Gestor que está a frente do Departamento, da Secretaria e também da sensibilidade do Prefeito(a). Historicamente tem algumas coisas legais, como a construção da pracinha em Frente a Casa da Cultura, as Gincanas que aconteceram em determinado período, mas dificilmente movimentos que conseguiram atingir uma maior parte da população ou envolver os dois “lados” da Cidade.
Marinei Vidolin , atualmente atua na área da educação
Você ficou 8 anos á frente da Cultura , quais as ações desenvolvidas neste período?
Sempre com a ajuda da Equipe, que naquele momento girou em torno de 8 pessoas (e alguns entusiastas voluntários), se não errei na conta, foram:
06 Edições do FETECO – Festival de Teatro de Colombo;FETECO
06 Edições da Encenação da Paixão de Cristo no Bosque da Uva;Encenação da Paixão de Cristo
05 Edições da Mostra de Dança; Mostra de Dança
04 Edições do Encontro de Violeiros;
04 Edições do Cinema para Todos;
03 Edições do Fazendo Arte nas Escolas;
Exposições rotativas de Artes Plásticas, utilizando a Casa da Cultura ou o Hall do Colombo Park Shopping –Colombo por ter riquza cultural
Criação do Museu Municipal no Bosque da Uva
Criação da Biblioteca no Alto Maracanã
Compra de Equipamentos e Uniformes para a FAMCOL – Fanfarra Municipal de Colombo
E alguns outros movimentos isolados, como o levantamento / atualização de cadastro dos artistas Colombenses; Levantamento de Patrimônios Históricos ou acervos como por exemplo os livros de registro do cemitério da Igreja Matriz (Fábio e Ângela, altamente envolvidos), Conferência de Cultura que aconteceu em Colombo, esboço da lei municipal de cultura…
Museu Cristóforo Colombo no Bosque da Uva
FAMCOL

A diversidade étnica de Colombo é conhecida , como atender essas duas demandas? Você não acha que os Italianos já resolveram a questão deles , faltando apenas resgatar a Festa da Uva nos padrões antigos?
Não acho. São raízes que precisam ser Cultivadas de várias formas e incentivos deferentes. Mas “nem só de Italianos é formada nossa Terra”, também é preciso cultivar e/ou desenvolver outras vertentes de tantas outras etnias que formam nosso povo Colombense, índios, negros e tantos outros.  Além de incentivar e propiciar espaço para movimentos não apenas étnicos, mas religiosos e culturais.
Os recursos usados para pagar artistas não poderiam servir para promover a cultura local?
Posso responder pelo tempo que estive na Cultura, neste período pagávamos uma ajuda de custo sempre que podíamos, por exemplo para os grupos que participavam da Festa da Uva, pessoas que ajudavam a coordenar os grupos na Encenação da Paixão de Cristo, Professores da FAMCOL, artistas que se apresentavam nas Escolas… A Cultura precisa ser vista como o forte viés da Economia Criativa e além de transformação sócio-ambiental, precisa sim ser remunerada, como qualquer outro trabalho que exige conhecimento e esforço físico ou intelectual.
Os atuais movimentos não estão muito dependente da PMC , que por seu lado não tem uma gestão programática de incentivo a cultura , e vive de importar espetáculos de Curitiba?
Não estou acompanhando de perto como está ou se existe algum diálogo entre os grupos culturais de Colombo e a Prefeitura. É meu perfil me envolver bastante com meu trabalho e atualmente não é diferente. Curitiba é mais estruturada e apesar das crises que permeiam por lá, ainda é um “porto seguro” para quem busca espaço localmente.
Como era a parceria entre Departamento e empresas da gestão?
Começamos a fazer um projeto de incentivo a Captação de Renda pela Lei Rouanet, mas isto é uma coisa que leva tempo. é preciso amadurecer a consciência que Cultura não é só entretenimento e isto não se faz do dia pra noite.
Você não acha que a criação da Fundação Cultural já passou da hora?
Com certeza, mas pra isso precisa uma organização duradoura. Não é só criar, é criar e dar condições de manter.
Qual o modelo de gestão que você deixou e hoje não está mais em vigor? Quais os programas que deixaram de fazer parte da agenda ?
Procurei criar linhas que envolvessem a maior parte das áreas culturais, principalmente focando na participação das famílias. Tivemos o cuidado de batizar os projetos com nomes que não representassem uma “gestão”, mas pudessem permanecer posteriormente. Além da FAMCOL, que já existia a muitos anos, que eu saiba infelizmente nenhum dos projetos teve continuidade.
O que você  acha que deve ser feito para a Cultura não ficar tão dependente da politica ou da troca de prefeitos ?
Criar Leis que defendam os investimentos permanentes na Cultura, assim como existe nas outras pastas. Deixei um projeto de lei pronto lá, que infelizmente não deu tempo de aprovar. Se procurarem, dá pra atualizar e dar andamento.
Atualmente você está atuando na área? em Colombo ou Curitiba?
 
Profissionalmente estou na área de Educação e pessoalmente sempre que possível colaboro com Projetos na Igreja Nossa Senhora da Penha, na Vila Guaraci, onde sempre tive raiz e temos um histórico de atividades culturais. Como projeto pessoal espero conseguir me organizar para retomar o Grupo de Teatro Jeito de Corpo da nossa comunidade, que era fantástico!
Você é considerada a melhor diretora que já passou pelo departamento ( eu fui o segundo diretor da pasta entre 86/87) , tem pretensões de um dia voltar se for convidada?
Fico feliz com este título, mas apenas fiz o trabalho para o qual me contrataram. Como escrevi em uma das questões acima, não consegui fazer um levantamento das outras gestões, talvez por falta de registros. Vou te colocar em situação inversa… Como foi sua gestão? E como foi ver as que vieram depois de você? *resposta abaixo na  nota do Blog
Quanto a voltar, nunca tive pretensões políticas, foi um trabalho que tenho muita afinidade, com certeza por ser da área. Trabalho que me propiciou aprender e sustentar minha família naquele período. Estou bem na minha atual atividade profissional, não posso reclamar, Deus é bom comigo.
Torço pra que quem tiver na Cultura possa fazer seu trabalho, possa se cercar de pessoas com vontade e disponibilidade pra trabalhar. Quem sabe um dia possa colaborar pra algum projeto específico, o futuro a Deus pertence.
O que nós perdemos nestes últimos anos por esse atraso? É culpa de quem?
Tempo! E é uma coisa que não se recupera. Quantas crianças estão sem oportunidade de viver esta experiência, quantos adolescentes estão por aí sem ter o que fazer, quantas pessoas poderiam estar engrossando sua renda com atividades culturais!
É um desafio de qualquer gestão (pública ou privada), colocar a pessoa certa no lugar certo, além de dar condições para que esta pessoa possa trabalhar.
Então “Tem culpa todo mundo”.  O povo que não cobra e principalmente a Gestão Municipal que regride no tempo ao invés de evoluir.
Nota do Blog
Respondendo a pergunta de Marinei sobre minha gestão no Departamento de Cultura, como ela me questiona acima *
“Minha participação foi mais importante no sentido de lutar pela criação do Departamento quando ainda nada existia no setor público que gerisse a Cultura e o Esporte de Colombo.
Edson Ferreira e Paula Schimidlin  dirigiram a Cultura nos primeiros três anos , era o inicio de tudo e foi bem , já que era o pontapé inicial. Eu vim em 87 e fiquei dois anos cuidando das duas áreas , não tinhamos espaços culturais , e apenas 3 funcionários .
Com Dalprá eu fui convidado para reassumir , mas recusei por questões pessoais . Voltei para o Departamento de Esportes e lá fiz um trabalho de 3 anos e meio . Kachel e Anderson ficaram na Cultura. Fizeram um bom trabalho , tivemos festivais de musica , exposições , teatro , mas nada comparado a você. Até porque estávamos no inicio de uma pasta recém-criada .
Eles continuaram com Strapasson.
Com Beti foi a Maria Celeste , que fez um excelente gestão , mas muito voltada para o entretenimento.
Dai vem você  , MARINEI , e transforma tudo ,era o que faltava!
Em resumo: o departamento é muito jovem ,mas sofre no seu crescimento por causa da questão politica/eleitoral.

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